sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Road to February

O Luisão vai falhar pelo menos:

Benfica - Gil Vicente _ Campeonato
Benfica - Nacional _ Taça da Liga

A deslocação a Penafiel (campeonato) também deverá estar em risco.

- Onde pára o nosso segundo melhor central???

O Salvio vai falhar:

Benfica - Gil Vicente _ Campeonato
Benfica - Nacional _ Taça da Liga
Penafiel - Benfica _ Campeonato
Benfica - Guimarães _ Campeonato
Benfica - Arouca _ Taça da Liga
Maritimo - Benfica _ Campeonato
Moreirense - Benfica _ Taça da Liga
Paços - Benfica _ Campeonato

A recepção ao Boavista (campeonato) pode também estar em risco.

- Ola John está a lento e incompetente no momento de decisão e a direita não parece ser adequada para ele.
- O Pizzi e o Guedes poderão ter a sua oportunidade.
- Sulejmani?

Ao que parece o Enzo pode nem voltar a jogar com a camisola encarnada.

- O Pizzi continua a ser preparado mas estou convencido que terá maior rendimento se jogar mais solto e com maior liberdade ofensiva.
- Samaris e Cristante são as soluções mais directas.
- Também o Amorim pode aparecer.

Quantos mais jogos sem o Silvio, Amorim e Fejsa?
Ah e o Eliseu também...

Vai ser uma longa viagem que irá culminar com a deslocação a Alvalade.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Receber o Braga com crescimento




Jogo de enorme esforço no Domingo mas amanhã temos outro muito exigente e importante para a época do Benfica. Com 4 dias entre os dois jogos, sou apologista de duas ou três mexidas na equipa e não mais que isso. O próximo jogo é Domingo na Luz com o Gil e isso permite um maior foco para esta eliminatória da Taça. 

Passados 3 dias da vitória do Dragão, olhando mais a frio para o jogo disputado nas 4 linhas, que situações vocês consideram merecer atenção para o jogo de amanhã contra o Braga? 

Ignorando a possível rotatividade, na sequência do que aconteceu no Dragão, que pontos consideram essencial melhorar para a recepção ao Braga?



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Suar Mística




Regressei aos acimentados, 8 longas épocas depois. Uma miséria. Quando descobri que estava a jogar futebol já tinha deitado o corpo no chão, fingindo uma queda mais ou menos aparatosa que não passou de um voluntário deitar-me em câmara lenta em cima da linha da área porque o chão parecia mais digno do que andar a fintar com os olhos. Há momentos em que o corpo troça de nós, aos gritos - queremos correr mas não vamos; queremos marcar à zona, porque somos tacticamente irrepreensíveis, mas nem o homem-a-homem nos salva; queremos pensar, mas como, se os olhos só vêem aquela garrafa de água gelada em cima das bancadas?

O maior problema deste regresso prende-se com o facto de os outros correrem. Não fosse dar-se esse fenomenal acontecimento de os outros conseguirem correr e, tenho a certeza, eu teria sido o melhor jogador da minha equipa naquele recanto junto aos ferros onde me recostava, feito touro no estertor da morte, a fingir que alguém me lançava indignos lasers verdes dos bancos de madeira decrépitos que não tinham ninguém. Marquei, no entanto, com indelével e inolvidável desenvoltura, todos os que se me aproximavam dos pés, que era para onde os meus olhos se dirigiram grande parte do tempo, pedindo-lhes que me dessem algo mais do que um andar feito de areia e nuvens.

Punha-me na baliza, nunca fui tanto de baliza. Vogava entre as redes e a função de líbero - que era a minha forma de enganar-me. Quase achei que tinha alguma função, cheguei a achar que era possível que talvez, se ninguém notasse muito o que eu não fazia, eu estivesse a jogar futebol. Eu próprio cheguei a achar que jogava futebol, quando me punha a acompanhar à distância o avançado - longe, muito longe, porque sou um defensor do método mais do que da proximidade -, e, uma ou outra vez, estive quase para não ter pena de mim naquele pavilhão a cair aos pedaços, com promessas na parede de coisas boas se alguém comprasse os ténis na GinoSport ou fosse comer ao Restaurante Dona Lucília ou enveredasse pela sempre arriscada escolha de ir fazer compras de Natal à Retrosaria Milu. Cheguei a ler números de telefone nos anúncios, na esperança de que houvesse um que me levasse pelos fios até àquele sítio no tempo - há muito tempo - que me via a receber uma bola, a levantar a cabeça (aprende, Patrício), a seguir confiante com ela nos pés ou a dar, com ternura, num passe delicado, mais um golo que era quase tudo.

«Não voltes ao sítio onde foste feliz», dizem-nos com aquele tom coloquial de quem debita alarvidades alheias. Eu volto. Sem pernas, quase sem pés, com dois pulmões escarrando tropeções, noites e um alcatrão de tragédias junto ao peito. Com um respirar em sufoco, animais na garganta e volumosos versículos cortando o ar por cima da língua. Ao futebol, volto sempre. Agora, cansado porém feliz, volto com os pés. E com uma fatiota que nos tempos em que verdadeiramente jogava à bola nunca enverguei nos acimentados, pelados e relvados deste país: um blusão do Benfica. Para suar mística.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Assim sabe melhor



O jogo de ontem ainda não foi o que espero ver o Benfica fazer no Dragão – ou noutro reduto de adversários de valia idêntica à nossa – mas foi o suficiente para me deixar satisfeito. Isto é, ainda não vi um Benfica afirmativo e capaz de dominar o adversário, pelo contrário, mas foi extremamente competente na forma como defendeu e finalizou.

Há quem diga que a diferença entre a vitória do Benfica e a derrota do Porto se estabeleceu entre Jorge Jesus e Lopetegui (ou Lotopegui). Concordo, na medida em que o treinador do Benfica soube anular as maiores virtudes do adversário, nomeadamente na forma como o Benfica soube condicionar a saída de bola do Porto, pressionando bem alto (aspecto de que gostei particularmente) e na forma como não se expos a lances de 1x1 nos corredores laterais. Não obstante, sou apologista da ideia de que a diferença também se estabeleceu muito pela disparidade entre Júlio César e Fabiano. O nosso guardião gritou presente quando foi necessário refrear o ímpeto inicial do adversário, contribuindo assim para o acalmar de toda a equipa, aspecto fundamental para a melhoria defensiva. Por seu lado, o guarda-redes azul e branco falhou clamorosamente no único lance a que foi chamado na primeira parte, dando assim um golo fácil a Lima.

O aspecto de que continuo a não gostar nada é a nossa capacidade ofensiva. A esse nível, a primeira parte foi frustrante. À parte do golo obtido através de um lançamento de linha lateral (ridícula a reclamação do Sr. Lopetegui e seus pares), o Benfica parecia estar num jogo de andebol, sendo que a área restritiva se estendia até aos últimos 25/30 metros. Saiamos pouco e quando o fazíamos, finalizávamos as jogadas com remates de longa distância e sem nexo, transmitindo uma ideia de urgência na finalização, coisa que não gosto de ver, seja em que equipa for.

A segunda parte manteve a toada da primeira, sendo que o Benfica conseguiu melhorar muito a sua construção ofensiva, muito pela acção e subida de rendimento de Nico Picasso Gaitan. Se um ET visse futebol pela primeira vez no jogo de ontem, ter-lhe-ia sido o bastante para perceber o que é um 10 no futebol. Quando vejo Gaitan jogar, sinto-me como um miúdo que acaba de entrar numa loja cheia de brinquedos, fascinado e sem saber muito bem qual deva escolher.

O controlo do Benfica só foi abalado pela entrada de Quaresma no jogo, o “ciganito” foi o único a ser capaz de expor A. Almeida ao 1x1 de forma consistente e perigosa. Este é outro que faz uma bola de futebol parecer um desenho animado – o cruzamento que tira para Jackson finalizar à barra é absolutamente delicioso. Porém, nesta fase já a equipa do Porto se encontrava com níveis de ansiedade para lá do limite, enquanto que o Benfica se recostava na poltrona do 2-0.

No final do jogo, na minha página do facebook escrevi: “Sem espinhas!”. Foi o que senti quando a emoção do jogo acalmou um pouco porém, e depois de rever o jogo, tive vontade de retirar tal expressão, porque o jogo não foi tão “sem espinhas” como havia escrito, foi antes histórico e deverá ser repetido e melhorado.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Treinadores do Plantel Glorioso by Ontianos

E os três treinadores do Benfica colocados no pódio pelos Ontianos, com uma boa margem sobre os restantes, foram:

Béla Guttmann; Otto Glória; Eriksson

Com o sueco a liderar destacado.

Os restantes mais votados foram, e de modo equilibrado, o Toni, Jorge Jesus e Jimmy Hagan.




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Um jogo revelador



O jogo de despedida da UEFA foi revelador, desde logo, da pobreza da prestação europeia do Benfica, ou seja, as segundas linhas mais o bebe Tiago, conseguiram empatar e dominar um jogo frente ao adversário mais forte do grupo, ainda que não tenha apresentado o seu 11 habitual. Por aqui se tem de perceber o quão diferente esta campanha europeia deveria ter sido. Vá lá que Jorge Jesus demonstrou um discurso mais consciente da dimensão do falhanço.

O jogo de ontem foi ainda revelador no que diz respeito ao bom trabalho de sombra que JJ tem feito com Pizzi. O novo projecto de JJ demonstrou ontem pernas para andar com uma exibição de bom nível – sobretudo na primeira parte – dando alguma esperança para aquilo que pode ser a posição 8 depois da saída de Enzo, se esta ocorrer mesmo em Janeiro.

Ontem foi ainda revelado um pouco mais de Cristante. Antes do jogo com os Alemães na primeira volta desta fase de grupos, escrevi que o médio Italiano podia ser uma arma importante num jogo que pediria mutações de flanco e passes em profundidade rápidos e ainda numa primeira fase de construção. Nessa altura, muitos dos que leram pensaram com certeza: “este gajo está maluco ou não percebe nada disto”. Compreendo que assim seja, o facto é que Cristante, nos jogos da taça e no jogo de ontem, tem-se revelado, quanto a mim, no médio com melhor capacidade de passe a média/longa distancia, diria que nem Enzo tem o grau de eficácia de Cristante nesse aspecto do jogo. Na altura salvaguardei a questão defensiva, porque ainda não tinha visto jogar no Benfica e muito menos via os treinos. É também um facto que nesse jogo o Italiano foi desastroso nessa vertente, não obstante não deixa de ser menos verdade que tem melhorado a olhos vistos e o jogo de ontem foi revelador disso mesmo. Forte na antecipação e contundente no choque, aliados a um bom posicionamento. Há ali muito por onde crescer e JJ fará de Cristante o próximo médio defensivo do Benfica, não tenho duvidas.

Ontem também foi revelada a tremenda falta de qualidade de Tiago bebe. Fosse o futebol uma prova de velocidade com condução de um objecto redondo sem obstáculos e Tiago seria um atleta top, mas como o futebol é uma modalidade que compreende mais 10 colegas e 11 adversários, contemplando assim a capacidade de decisão, Tiago não passa de um bebe no meio de gente graúda (ainda gostava de ver uma equipa cujos extremos fossem Capel e Tiago). Porém, não deixa de ser algo revelador o forte empenho de JJ em incentivar e aplaudir o jogador, mesmo que tome a decisão mais absurda do mundo. Mas pode ter sido apenas impressão minha, veremos. E pensar que gastamos dinheiro em Tiago ao mesmo tempo que mandamos embora Bernardo Silva ou Ivan Cavaleiro…

Este jogo revela também muito do que é a formação do Benfica e o seu enquadramento no plantel principal. Nem num jogo com as características do de ontem foi possível ver Nelson Oliveira por mais de 15/20 minutos, mesmo com um Lima absolutamente desastrado em quase tudo o que fez. Porém, nesses mesmos minutos, foi ainda possível perceber o potencial físico e técnico do jogador, mas olhando para o tempo de utilização do plantel, ainda teremos de ver Jara com mais tempo de jogo que o avançado Português por muito e longo tempo, ainda que espere estar engando.

Esses minutos revelaram ainda que a maioria dos adeptos desconhecia Nelson Oliveira, porque o que fez ontem, já antes o havia feito no mundial sub20 ou no empréstimo ao Rennes (que muitos insistem em dizer ter sido mal aproveitado pelo jogador). Por essa net fora já vi muitos pedidos de mais minutos para o jovem e outros tantos escritos de erro de avaliação que haviam feito do avançado. De facto, criticavam quem pedia mais para o Nelson, mas nem sabiam muito bem porquê.

Depois há João Teixeira que entrou, lutou e tentou brilhar, mas não conseguiu. O jovem da equipa B entra em campo para os últimos minutos do jogo com a noção de que tem de conquistar este mundo e o outro naqueles minutos se quiser ter alguma hipótese no futuro, ou seja, o jovem da formação sabe que tem de fazer muito mais e em muito menos tempo que os outros se realmente quiser ter oportunidades sérias. Mas esse sentimento tolda-lhe o discernimento e, normalmente, acaba por fazer tudo mal ou, na melhor das hipóteses (tal como aconteceu ontem), faz quase tudo bem menos a parte mais importante: a decisão. Corre, luta, ganha, limpa o adversário e… tenta brilhar ao nível lendário, quando deveria apenas dar sequência ao lance com um passe. O problema da formação do Benfica não é a falta de qualidade, é sim a falta de continuidade.

Do jogo de ontem sobram ainda as revelações de Lima e Derley. O primeiro revela um nível de ansiedade tal que já nem o trabalho de “sapa” lhe sai bem. Se até aqui víamos um Lima que não marcava, mas que dava a marcar, fosse por assistências directas, fosse por movimentações que abriam espaços, ontem nem isso vimos em Lima, talvez uns tempos de banco lhe possam fazer bem, regressando com adversários mais acessíveis. Do ex-Maritimo sobram pormenores de qualidade enquanto 1º avançado, isto é, não será no chamado papel 9.5 em que JJ o utilizou no início de época que Derley se pode revelar útil, pelo contrário, é e será entre os centrais que o Brasileiro poderá dar o melhor de si à equipa, funcionando como um verdadeiro pivô ofensivo. Pode não marcar muito, mas faz passes e combinações simples que abrem muito e bom espaço para os colegas vindos de traz poderem finalizar

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Hoje ainda há Europa

Hoje na Luz há dois jogos que não podem ser esquecidos: O jogo Domingo no Dragão e o jogo hoje com o Bayer.

A deslocação ao Porto merece atenção e cautela mas hoje acima de tudo temos um jogo para ganhar e uma imagem para elevar.

A eliminação precoce das competições europeias não pode ser desculpa para desleixo nem para derrota.
Hoje há uma dignidade a defender. É tudo o que nos sobra na Europa esta época.

Um 1 milhão da vitória dá jeito mas nem é isso que está em questão.

A mensagem verbal do treinador a quem jogar é importante mas a mensagem da acção é crucial.
Meter um 11 de reservas, rodar em excesso a equipa, é uma mensagem clara para os jogadores que o jogo pouco importa e que eles não jogam por mérito e com futuro mas sim como obrigação no imediato.

É essencial poupar alguns jogadores e incorporar outros com a motivação e confiança em alta.
Até porque quebrar todas as rotinas da equipa só irá prejudicar o desenvolvimento e exibição de quem quer e pode mostrar valor.

Hoje é Terça e o jogo no Dragão é Domingo, tempo suficiente para recarregar baterias. E também com as substituições se gere o cansaço dos jogadores.

Sem saber a convocatória apostaria num:
Artur, Maxi, Lisandro, Jardel, Benito, A.Almeida, Cristante, Pizzi, Ola John, Salvio e Lima.

Perante a convocatória:
Artur, André Almeida, Lisandro, Jardel, Benito, J.Teixeira, Cristante, Pizzi, Ola John, Derley e Lima.

Guedes e Oliveira são dois jogadores que gostava de ver pelo menos 30 minutos hoje.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ser Nico Gaitán




Se Jorge Jesus tem a sua caderneta recheada de cromos que ajudou a potenciar e a elevar a um patamar mais alto de qualidade, também tem vários exemplos de jogadores que não soube explorar ao máximo. Um caso é evidente é o do super-talentoso Nico Gaitán, que nas mãos de Jesus esteve sempre muito preso à linha lateral, sem a liberdade de que precisa para fazer explodir todo o génio que leva dentro do seu aveludado futebol.

O argentino, que vai na 5ª época de Gloriosa ao peito, só começou a convencer o treinador português a utilizá-lo em zonas mais interiores a meio da época passada. Até lá, em 3 épocas e meia, raros foram os momentos em que vimos Gaitán deambular pelo miolo. E, quando víamos, rapidamente Jorge Jesus dava indicações para que voltasse à âncora da linha lateral - como se, forçando o talento à ordem e método do proletariado, pudesse encher Gaitán com mais futebol. Não enchia: Gaitán mirrava.

Ao longo de 5 anos é verdade que o argentino começou a saber entender o que pretendia Jesus, sobretudo em termos defensivos, ofício que durante as duas primeiras épocas lhe pareceu sempre (e ainda parece, mas agora disfarça melhor) aberrante e contranatura. Na verdade, Gaitán andava amordaçado a uma necessidade de cumprir religiosamente as compensações às subidas do lateral, os despocionamentos dos médios, os desequilíbrios que a equipa de Jesus sempre teve. Com isso, desgastava-se, prejudicava a equipa, perdia metros na frente e, quando pegava na bola, já estava exausto (física e mentalmente) e sempre numa posição em que partia demasiadamente longe do coração do jogo.

Felizmente, e já veio tarde, o mister começou a perceber que podia dar liberdade a Nico para que, partindo da ala no esquema que todos pintam no início do jogo mas que é apenas isso: um esboço de algo que rapidamente começará a dançar como partículas sob o calor, pudesse então pintar, tecelar, escrever e musicar todo o futuro das partidas. Nico já não tem uma corda agarrada à cintura; agora pode voar e então avança para o jogo interior, vai dar linhas de passe aos médios no centro do terreno, arranca de trás, finta e faz fintar, descobre espaços, desequilibra e arrasa o posicionamento defensivo dos adversários, aparece isolado, desmarca-se e entra em triangulações. Tudo quase sempre pelo meio - seja estando lá inicialmente, seja partindo da ala. Mas já não é o esforçado e obrigado extremo que tinha de andar paralelo à linha lateral a fazer piscinas como se fosse um robot. Jesus demorou a entender, mas chegou lá: o coração do Gaitán não é de lata.

Uma nota final para a jogada no terceiro golo contra o Belenenses: toda ela explica o porquê de ser estúpida a ideia que defende que «não podemos criticar o jogador por rematar à baliza quando está em boa posição». É evidente que podemos e devemos. Chama-se decisão. Gaitán tem a decisão dos bons; outros têm a decisão dos maus. Rematar naquela situação (dando golo ou não, a análise é independente do resultado) seria uma má solução; a melhor foi a que Nico encontrou: colocar um colega com a baliza escancarada: é que ainda é mais fácil marcar golo sem ninguén na baliza do que com um guarda-redes pela frente. O resto, toda a loucura dos anteriores segundos, foi Nico a mostrar a Jesus que o futebol que leva dentro não é de robot mas de pássaro voador.

domingo, 7 de dezembro de 2014

É nos valores que mais dói

A glória do glorioso nasceu, cresceu e viveu com base numa mística alimentada por vitórias e sustentada pelos valores.

Os valores são o pilar que eleva as vitórias à glória.

É nos valores que mais dói. É nos valores que mais de nós fica a nu. É nos valores que construímos o nosso carácter.

Faz-me confusão. Faz-me muita confusão.

Estamos no presente. Estamos sempre no presente. O futuro é sempre amanhã. O futuro longínquo ou o futuro breve é sempre amanhã. Nunca chega. É um espaço temporal de sonhos e inalcançável.

É fácil deixar para depois, é fácil prometer para mais logo, é fácil comprometer-nos com um espaço temporal que não o Agora. É que amanhã estamos de novo no presente, estamos novamente a fabricar o futuro, estamos em adaptação à situação perante nós e em ilusão com o que está para vir.

Faz-me muita confusão como alguém consegue viver em constante contradição. Como conseguem essas pessoas olhar-se no espelho sem peso na consciência?

São milhares de pessoas que tanto no Futebol como na Sociedade fazem hoje as suas acusações, manifestam as suas crenças e estabelecem as suas posições mas que amanhã já estão em plena contradição. Uma contradição que para elas não existe. Limpa-se o passado, vive-se o presente e aponta-se ao futuro.
Os valores são adaptados consoante os acontecimentos e intervenientes. Recorre-se à desculpabilização facciosa, pouco trabalhada e ponderada para justificar o injustificável mas que permite libertar a consciência moral de quem se ilude. A desculpa nem tem de ser boa, basta existir e ser fácil de repetir.

Hoje acusamos o rival. Hoje gabamo-nos de sermos diferentes. Hoje afirmamos que nunca compactuaríamos com tais comportamentos no nosso clube. Amanhã tudo isto muda. Amanhã é o novo presente e ontem o antigo presente, um passado que não interessa considerar.
O que ontem era verdade hoje já não é bem assim. O que hoje é verdade amanhã logo se verá.

“O nosso rival é corrupto e os seus adeptos deviam ter vergonha, temos orgulho de ser de um clube diferente que nunca segue esses caminhos!” Ontem sobre o assunto A.

“Não podemos ser anjinhos. Foi por querermos ser diferentes que nos deixámos comer todos estes anos. Temos de nos proteger a qualquer custo para ganharmos. O que interessa é a vitória.” Hoje sobre o assunto A.

“O nosso rival é corrupto e os seus adeptos deviam ter vergonha, temos orgulho de ser de um clube diferente que nunca segue esses caminhos!” Perspectiva para amanhã sobre o assunto B.

Quando esta gente se senta e faz uma retrospectiva dos seus dias, do que foram dizendo e fazendo… como não ficam com a cabeça a andar à roda? Como aceitam colocar em causa a sua integridade moral e agir contra a sua personalidade e carácter? Bem sei que nem reparam, tanta é a desculpabilização ilusória, mas mesmo assim…

É um mal social, é um mal no Futebol e infelizmente é um mal que afecta profundamente o nosso Benfica.

Perceber o presente como futuro só olhando ao passado mas para muitos só se deve olhar em frente e não viver no passado. É um fugir ao que fomos e dissemos antes, uma desresponsabilização das nossas acções e palavras e uma protecção à consciência.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Excelente fim de tarde na Luz só manchado pelos de sempre

Vitória incontestável apesar de os números me parecerem excessivos


Pontos positivos:

3 pontos
Lima regressar aos golos
Nico brilhante Gáitan
Boa casa
Sem novas baixas para o Dragão
Substituições


Ponto Negativos

Exibição do Talisca
Exibição do A.Almeida
Penalty pareceu-me ridiculo (parte do defesa) e forçado (parte do árbitro)
Benito com aquele passe desastroso para o Júlio César, atraso ao qual o árbitro optou por fechar os olhos


Ponto vergonhosamente negativo

A indisponibilidade de convocatório tanto do Deyverson como do Miguel Rosa. É inexplicável e inaceitável.
Triste receber o Belenenses na nossa casa nestas condições.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A vida num Subbuteo

Tu estás ali: os pés presos a uma plataforma que baloiça. Não podes correr, ir ao encontro do esférico. Esperas ou que alguém te dê o empurrão pelas costas ou que a bola chegue, redonda e gulosa, para fazeres o golo.

Propaganda populista desorienta os que não querem ver

Antes de mais nada, desde a eliminação das competições europeias, quantas capas com o presidente do Benfica foram feitas?

Coincidência talvez.

Agora ao tema do dia.

Luís Filipe Vieira voltou a afirmar a aposta na formação. Desta vez é para começar em 2014-2015. Lembro-me do tempo em que estas datas tinham um 0 no lugar do 1.
Esta declaração não é novidade nenhuma e o mais interessante aqui é tentar perceber como é que uma notícia tão banal continua a fazer capas de jornais.

Ainda há os que acreditam nestas baboseiras populistas. Também há os que sabendo que isto é tudo palha dedicam-se a discutir e argumentar sobre assuntos ao lado.

A ver se nos entendemos.

O investimento financeiro na formação tem sido enorme. Ninguém diz o contrário.

O Caixa Futebol Campus tem todas as condições para os jovens trabalharem e evoluírem. As infra-estruturas são excelentes e há muita qualidade a ser lá trabalhada.

Os escalões de formação estão a trabalhar muito melhor que há uns anos. Os resultados nas competições de formação têm sido bastante positivos.

Não tenho qualquer dúvida que neste aspecto estão criadas todas as condições para se apostar na formação enquanto fornecedora do plantel principal. Basta ter as pessoas certas à frente do futebol do clube.

Considero que há 3 questões que devem ser colocadas sobre este projecto do Seixal: A realidade financeira do Benfica e do país aconselha a tanto investimento em infra-estruturas? Faz sentido tamanhos custos numa formação na qual não se aposta? A filosofia “Formar a vencer” será a mais adequada?

Mas estas são questões para outra oportunidade.

Todo o dilema de hoje não tem a ver com a formação, não tem a ver com o Seixal e não tem a ver com a aposta na formação. Hoje é sobre as palavras do presidente do Benfica.

A maioria dos adeptos gostava de ver mais formação na equipa A. Outros não dão importância a isso.
O Sporting tem essa cultura de aposta na formação. O Porto não tem. Cada clube tem a sua identidade e cada um segue o caminho que considera mais benéfico para si.
Então e o Benfica. Este Benfica não tem cultura de formação mas diz que tem.
E é esta a questão. Se não é para apostar na formação então não se aposta, se é para apostar então aposta-se. Não faz qualquer sentido andar a dizer uma coisa e a fazer outra.
Isso é só propaganda, um desviar das atenções e uma recolha de apoios.

Gosto pouco de mentiras. Gosto pouco que me atirem areia para os olhos. Não percebo como há tanta gente que vive bem com isso e ainda bata palmas.

E depois há aqueles que perante uma critica a estas mentiras respondem com “Mas acham que se pode ser campeão com um 11 todo da formação?”

Que raio tem isso a ver com a conversa?

E, defendendo uma aposta na formação não afirmo que temos de começar a jogar com um 11 da formação. Ninguém diz isso. Um titular? 3 suplentes? 3 reservas? É preciso começar por algum lado.
Todos os anos contratamos jogadores sem qualquer valor para o Benfica. Porque não usar essas vagas para incorporar os miúdos na luta?

O problema da ausência de formação no Benfica não é só directivo nem técnico. Os sócios também têm culpa.
Um estrangeiro com um nome estranho gera uma maior crença e paciência aos adeptos do que um Carlos Sousa desta vida. Para uns há a mentalidade “Precisa de tempo, precisa de adaptação, precisa de apoio”, para outros há a exigência de mostrar tudo em 5 minutos.
Esta responsabilidade extra afecta os miúdos. Vejam só os disparates que o Bernardo Silva fez na pré-época.

Um miúdo aos 18 anos continua a necessitar de ser formado. Se no Benfica desistimos de os formar estamos à espera de quê? Aparece uma estagnação no desenvolvimento do jogador e a confiança é afectada.
Os jogadores não precisam ser Cristianos Ronaldos para se acreditar neles.

É fácil enumerar os jogadores que não foram parar a nenhum colosso europeu. E ainda é mais fácil ignorar que esses foram apresentados como o futuro mentiroso do Benfica. E ainda é mais fácil ignorar que esses depois dos 18 anos foram esquecidos pelo clube que os “devia” ajudar.

Um jovem de 19 anos. Inexperiente. Muito potencial para explorar e evoluir. No seu clube acreditam nele e há qualidade nos treinos para evoluir e espaço para ir crescendo aos poucos. Emprestado a um clube que joga com a corda no pescoço para não descer, será que tem estas condições? Será que um treinador irá apostar numa qualidade mediana mas segura ou num talento em potência que acarreta maior risco?

A aposta na formação é uma actividade complexa. Ou se acredita nesta e nos jovens ou então não se está disposto a tal aposta e admite-se isso.

Num Benfica com um presidente que de futebol só percebe de propaganda de egos e com um treinador que, com todas as suas virtudes e defeitos, não tem qualquer interesse em apostar na formação, esta é para esquecer.

As palavras do presidente são para surdo ouvir e tolo acreditar.
No fundo talvez, apesar da ideia ser mentirosa, o conteúdo seja verdadeiro.
No próximo ano com um P.Lopes/Varela como terceira opção para a baliza, Sílvio e Amorim mais tempo lesionados do que a jogar, um Nélson Oliveira a servir de suplente do suplente e o Lindelof a fazer o papel do Steven… teremos os 5 da formação no plantel.

21 de Junho de 2011


Há três anos e meio, Rui Costa apresentava Nelson Oliveira, Ruben Pinto, David Simão e Miguel Rosa como quatro jogadores "made in Seixal" que integrariam o plantel principal e que seriam a base para um Benfica mais português e cuja aposta teria de passar irremediavelmente pela formação.

Três anos e meio depois, Nelson Oliveira é um não-convocado crónico no Benfica, Ruben Pinto anda perdido pela equipa B, David Simão é titular no Arouca e Miguel Rosa é figura chave no Belenenses. O que têm os quatro em comum? Nenhum deles, em momento algum, foi aposta real no Sport Lisboa e Benfica. A tão propalada "aposta na formação" revelou-se um verdadeiro flop e continua a ser uma das mentiras mais fáceis usadas pelos dirigentes do Benfica para enganar os adeptos, chamemos-lhes assim, menos inteligentes.

Há tempestades de areia que enevoam menos a vista que as palavras de Vieira. Passados quase dez anos da construção do Seixal, a formação do Benfica continua a ser uma das grandes bandeiras e uma das maiores manifestações de demagogia atiradas aos benfiquistas. Os dirigentes não percebem o enquadramento competitivo em que estes jovens devem ser inseridos, não sabem que acompanhamento deve ser dado quando são emprestados e não entendem a que clubes ou que tipo de equipas devem acolher estes jogadores nos seus empréstimos. A única coisa em que são verdadeiramente hábeis é na mentira fácil, no gozo para com os adeptos e na propaganda barata.

Serve este post para vos recordar que esta imagem tem três anos e meio, numa altura em que já se convocavam conferências de imprensa para apresentar jovens formados na nossa casa, já depois do início das promessas de uma plantel recheado de jogadores formados na cantera. Que continuem a estoirar dinheiro em Djalós e Bebés para tapar o futuro de potenciais bons jogadores. É assim mesmo que vão resolver os problemas do Benfica.

Fica para depois uma análise mais profunda sobre o que é e o que deve ser a formação no Seixal. Para já, não é nada.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Das cadeiras voadoras à carga policial


Uma grande noite de campeonato manchada por atitudes dispensáveis no futebol e sociedade.

Durante todo o jogo a policia teve vários pretextos para intervir junto à zona dos adeptos do Benfica. Desde a pirotecnia até a um ou outro momento mais agressivo entre alguns adeptos. Pretextos normais, usuais e sem gravidade ou motivo de destaque.

A verdade é que neste jogo estava a viver um dos melhores ambientes em jogos fora dos últimos tempos. E foi quando o ambiente estava no seu pico que a policia apareceu.
Apesar de estar junto à zona da primeira intervenção não consegui perceber o que a tinha originado.
Ainda hoje não consegui perceber o que despoletou aquilo mas a verdade é que durante todo o jogo aquela foi a zona mais exaltada entre os adeptos benfiquistas.

O resto foi fácil de adivinhar.

A polícia aparece.
Os adeptos insultam, uns com e outros sem razão. Uns porque querem ver o jogo e nada de mal fizeram e outros por pura estupidez anti-policia.
A polícia começa a recorrer à violência. Em alguns casos bem e noutros mal. Já se sabe que nestas situações se 5% faz porcaria são os restantes 95% que se arriscam a sofrer as consequências.
Alguns começam a atirar cadeiras à polícia.
E aí o óbvio nunca foi tão óbvio. Vai haver carga.

Já se sabe que é assim. Será este o melhor método de intervenção das forças de segurança? Mas como deverá a policia agir quando de um grupo de pessoas estão a saltar insultos, ameaças e principalmente cadeiras?

Uma coisa é certa. Aqueles que passaram o jogo todo a procurar confusão e que decidiram provocar a policia e atirar com as cadeiras num primeiro momento, foram os primeiros a desaparecer, a fugir com o rabinho entre as pernas, a ficar atrás dos inocentes a ladrar ao longe e depois muitos nem mais deram a cara.
Pelo meio quem nada fez, incluindo mulheres e pessoas com alguma idade, apanharam (ou estiveram em risco de) por culpa do comportamento de alguns vândalos e de um ineficiente e injusto processo de segurança.

Isto afasta muita gente dos estádios. Não aqueles que gostam de vandalizar e arranjar confusão mas sim aqueles que gostam de ver futebol e cantar para apoiar a sua equipa.

Quando será montado um sistema de vigilância através de câmaras?
Não seria muito melhor, em vez da carga policial, uma identificação dos prevaricadores através da memória e das imagens da câmaras, seguida de uma aproximação dos mesmos no final do jogo quando as portas ainda estão fechadas para a saída dos adeptos visitantes?
Uma aproximação pacifica obviamente. Se 3 ou 4 polícias se aproximarem calmamente dos adeptos não há tumultos. Mas se forem 30 ou 40 polícias preparados para a confusão… aí há uma reacção imediata das massas.
Portanto, aproximação aos adeptos identificados nas imagens e memória, recolha do número de identificação e caso resolvido.

Uma carga policial é perigosa. Na fuga dos adeptos muitos se atropelam. Por isso são tão criticadas.
Contudo, e aqueles moches constantes entre adeptos nos degraus da bancada? Aí não há o mesmo risco? Quantas pessoas se afastam com receio dessa manifestação que beneficia tanto o apoio à equipa e o visionamento do jogo como ficar em casa a ver a Casa dos Segredos?


Para mim, acima de tudo, o que fica é um bom jogo do Benfica, uma boa resposta ao enorme desaire que foi a eliminação das competições europeias, um brilharete do Nico, uma pior exibição de um ou outro jogador, os três pontos e um ambiente fantástico durante 80 minutos de jogo.


Coimbra tem muito encanto e ainda mais quando vestida de vermelho e branco.

sábado, 29 de novembro de 2014

O Homem que Mordeu a Champions

Há rábulas dignas d' O Homem que Mordeu o Cão. Aquela em que Jorge Jesus é o único homem em Portugal que não sabia que o Benfica já estava de fora não só da Liga dos Campeões mas também da Liga Europa é uma delas. Provavelmente até Nuno Markl já teria tomado conhecimento de tal ocorrência.

Nesta história rocambolesca que é a eliminação do Benfica da prova rainha da Europa do futebol, o maior destaque vai para o "lapso" que Jesus cometeu na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com a Académica. Quando confrontado com a fatalidade de o Benfica terminar a fase de grupos da Champions em 4º lugar, Jesus retorquiu ao jornalista afirmando que era preciso esperar pela última jornada para saber se se confirmaria a última posição. Depois, novamente confrontado com a realidade, Jesus recorreu à matemática para confirmar aquilo que até provavelmente José Sócrates já sabe: o Benfica está mesmo eliminado da Liga dos Campeões.

Falta de atenção? Desconhecimento da verdade? Não sei ao certo o que foi aquele momento [mais um] verdadeiramente deprimente de Jesus numa conferência de imprensa. Mas acho muito estranho que tenha de fazer contas à pontuação das várias equipas para se aperceber, passadas 48 horas da eliminação, de que o Benfica estava mesmo destinado a não viajar mais de avião esta temporada. É que se não fosse a bazófia do costume, aliada a uma leitura de jogo digna de um treinador das distritais (tirar Talisca e meter Derley foi uma das substituições mais incompetentes que me lembro de ver dado o contexto do jogo), o Benfica estaria a uma vitória de garantir o apuramento para a Liga Europa.

Somos todos do tempo em que Fernando Santos era crucificado por não conseguir passar a fase de grupos da Champions. E se não temos memória curta, todos nos lembramos. E se não somos intelectualmente desonestos, também não esquecemos as críticas que se fizeram (e que alguns ainda fazem) a Fernando Santos, enquanto colocam paninhos quentes no homem que recebe 4 milhões de euros por ano e que tem hoje o dobro do orçamento que os seus antecessores tinham. Fica a ideia.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Ontem foi melhor

Quando eu tinha 6 anos, vi o Estádio da Luz com 120.000 pessoas alucinar numa meia-final dos Campeões Europeus - ganhámos 2-0, dois golos do Rui Águas, e fomos à final. Quando eu tinha 8 anos, vi o Estádio da Luz com 130.000 pessoas (as escadas, os postes de electricidade, o relvado, as entradas, tudo cheio de gente) alucinar numa meia-final dos Campeões Europeus - ganhámos 1-0, a 7 minutos do fim, e fomos à final.

A primeira foi em 88, a segunda em 90. Na época de 91/92, num Benfica-Porto com 120.000 pessoas (4 vezes mais do que a assistência normal nos dias de hoje), no final de um jogo que perdemos por 2-3 com uma arbitragem tão absurdamente corrupta que não dá para explicar em palavras, perguntei ao meu Pai

- nós somos do Benfica porquê?

e ele respondeu-me:

- nós somos do Benfica porque acreditamos na verdade dos sentidos

23 anos depois, 4 anos e tal após o meu Pai ter morrido, eu sou do Benfica porque «acreditamos na verdade dos sentidos». Mas, confesso, eu já não vejo nenhuma verdade dos sentidos em ser do Benfica.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Déjà Vu



Depois do 0-2 no Dragão, o Benfica de Jorge Jesus recebeu o Porto de Villas Boas na Luz. Foi a segunda-mão das meias-finais da Taça de Portugal da época 2010-2011.
Depois de uma primeira parte sem golos, o Benfica concedeu 3 ao seu rival. Aos 80 Cardozo relançou a eliminatória com um golo de penalty.

O jogo estava 1-3. A eliminatória estava 3-3 e o Porto tinha a vantagem dos golos fora.
Com 13 minutos para se jogar o Benfica tinha de conseguir mais um golo para se apurar para o Jamor. Cinco minutos passados e o treinador do Benfica retira o Javi do campo e para o seu faz entrar o Kardec.

A partir deste momento acabou o jogo benfiquista. Não mais o Benfica conseguiu ter bola e a eliminatória ficou resolvida.

Déjà vu?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Um vazio no centro do terreno



Às vezes dá-me para pensar no Super Barça.
Valdés, Dani Alves, Pique, Mascherano, Abidal, Busquets, Xavi, Fabregas, Iniesta, Pedro, Messi.

Um meio-campo a servir toda a equipa, da defesa ao ataque.

Que nostalgia cá dentro.

Semana europeia em antevisão ao jogo na Rússia

A semana europeia não começou nada bem para o Benfica.
Depois do desaire da equipa B em Inglaterra, hoje assistimos a uma derrota expressiva dos sub-19 frente aos miúdos do Zenit.

Cabe à equipa principal inverter a tendência desta semana daqui a umas horinhas. E bem que precisamos de uma vitória, é o único resultado que nos interessa tanto enquanto Benfica como para servir a ambição europeia.

Hoje vamos precisar de um Benfica muito mais forte do que aquele que temos visto toda a época. Hoje a equipa tem de dar o salto qualitativo que todos ansiamos. Hoje tem de ser o inicio de um ciclo com rotinas e sistema de jogo a carburar a alto nível.

Não há espaço para erros tácticos, para a exposição de jogadores de qualidade questionável para este nível nem para facilitismos ou medo.

A um ataque cheio de liberdade e qualidade criativa, é necessário criar o entrosamento perfeito entre os seus membros. Não dá para ter um dos 4 jogadores a aparecer a espaços. Jogando o Talisca, está na hora de este começar a participar com mais vivacidade no jogo ofensivo da equipa.

A uma defesa comandada exemplarmente pelo capitão da equipa, é necessário acabar com os erros de casting. Está na hora de a defesa se tornar coesa e eficaz nos seus processos. Nesta altura já não se aceitam as barracas do Jardel nem os buracos do Eliseu. Jogará o Almeida? Tem de defender melhor do que aquilo que tem feito e talvez evitar grande envolvências ofensivas.

A tudo isto é crucial o meio-campo, para mim a zona mais desequilibrada das ideias de Jorge Jesus. Esta zona de terreno tem sido somente uma zona de passagem, com a equipa a depender da qualidade de quem ataca para chegar ao golo e de quem defende para não sofrer. A um nível de Champions é essencial um meio-campo coeso, dominador e capaz de gerir os equilíbrios da equipa. Pede-se um meio-campo que saiba construir, que saiba fazer as compensações defensivas, que saiba fechar e que saiba libertar elementos para o envolvimento ofensivo.

Mas hoje há algo que merece ainda mais atenção do que estas questões técnico-tácticas.
É a postura. Hoje exige-se um Benfica campeão, um Benfica com estofo. Uma equipa sem medos.
É que aquele benfica borrado já é uma presa comum tanto para o Hulk como para o Villas-Boas. Hoje não lhes podemos facilitar o trabalho. Hoje temos de ser Benfica.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Somos um bom cliente dos bancos

Pelos vistos um clube europeu, ali da zona da Alemanha e mais especificamente Munique, cometeu o amadorismo de saldar a sua divida relativamente à construção do seu estádio.
Pagar atempadamente? Aliás, pagar antecipadamente? Ser bom pagador? Preocupação em liquidar as dividas? Seriedade e responsabilidade? Puro amadorismo.

Hoje em dia ser um bom cliente dos bancos é tão ou mais importante do que ganhar títulos.
Quanto mais milhões de juros pagarmos aos bancos mais motivos temos para nos orgulhar e gabar.

Estes bávaros estão loucos mas o Maior Clube do Mundo é o nosso e o título de Clube Melhor Cliente dos Bancos está bem encaminhado.


http://www.record.xl.pt/Futebol/Internacional/alemanha/interior.aspx?content_id=915851

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tango de Nico em ciganice portuguesa

Como no futebol tudo pode mudar numa questão de segundos.

Depois do jogo mediano com a Arménia no Algarve, Portugal conseguiu uma exibição pobre em Manchester. O Fernando Santos entrou com a estrelinha na nossa selecção. Longe ainda de ter conseguido formar uma equipa e um fio de jogo, longe ainda de ter melhorado o nível relativamente à selecção de Paulo Bento, o Fernando Santos está a ser recompensado pela coragem e competência para começar a alterar os erros do seu antecessor.

A nossa exibição foi pobre. Jogámos demasiadamente recolhidos. Faltou-nos capacidade para atacar, o que é natural se virmos o modo como facilmente tínhamos 10 jogadores a defender na nossa área.

Não houve falta de entrega nem de dignidade. Simplesmente os argentinos são também mais fortes nesta característica.

O jogo em si foi pouco interessante, muito morno e com pouca emoção. A Argentina com melhores jogadores e mais equipa foi naturalmente superior. Isto apesar de também ter estado longe de fazer uma boa exibição.

Falou-se muito de um duelo Messi vs Cristiano e felizmente o jogo não andou à volta disso. Contudo, infelizmente tivemos pouco de ambos. Messi tentou fazer a diferença na zona de construção e de ataque argentino mas faltou-lhe a inspiração. O Cristiano tentou fazer a diferença em uma ou duas jogadas individuais, perdendo demasiado tempo em show e pecando na sua melhor qualidade - eficácia.

A segunda parte deu-nos o Nico e o Raphael Guerreiro. O benfiquista fez uma boa exibição e mostrou que a selecção é o seu espaço por direito. O sub-21 marcou posição na equipa A, tanto neste jogo como no anterior. Também tivemos Quaresma. Contudo mais valia não termos tido até ao último minuto do jogo. Quaresma entrou mal, jogou mal, apresentou-se lento e previsível, não ganhou uma bola. Depois mais uma vez ao cair do pano lá voltou a ser decisivo em mais uma vitória por 1-0 da nossa selecção.

Bem, Portugal ganhou à Argentina. Tem pouco valor mas não deixa de ter algum.
Em um minuto tudo mudou. Aos 88 tudo o que havia para referir era um jogo português pobre, uma péssima exibição do Quaresma e uma Argentina superior. Depois dos 89 o que vai ficar é o pé quente do Quaresma, a vitória de Portugal e o sonho tornado realidade do menino Guerreiro. As capas dos jornais rapidamente mudaram os seus teus cinzentos para tons vermelhos em marcha contra os canhões.

Para o Fernando Santos sobra ainda muito trabalho. A ideia das três flechas ofensivas é interessante mas exige mais dos laterais e do meio-campo. Além das rotinas é também preciso perceber que o Danny tem qualidade mas longe de ser um jogador que faça a diferença neste contexto. Este meio-campo também não é o mais indicado, é preciso escolher dois entre o Gomes, Moutinho e Tiago. Penso que a equipa funcionaria melhor com um pêndulo defensivo e dois médios mais soltos, tanto para integrar o ataque como para compensar nas alas. Por fim é crucial perceber que o B.Alves está a anos luz do R.Carvalho, principalmente quando é necessário a capacidade de estar tanto no meio como a cobrir a lateral.

O Beto como uma exibição normal foi o melhor português em campo. Cumpriu em todos os lances obrigatórios de cumprir.
O Raphael merece o reconhecimento pelas boas exibições. Não podendo delegar o Coentrão, pode facilmente encostar o Eliseu e também meter o Antunes a trabalhar muito mais para voltar aos convocados.

Depois destes 4 jogos o Seleccionador Nacional tem vários meses para começar a resolver várias destas equações. A abertura da Selecção a qualquer português que mostre qualidade é um incentivo determinante para melhores exibições dos portugueses no nosso campeonato (e não só).

Qual o próximo passo Fernando?
Não posso responder, na minha cabeça já só está a ida à Luz para ver o Benfica em mais uma eliminatória da taça.

Atenções voltadas para o Moreirense e tudo a saltar!