Domingo, 19 de Maio de 2013

Para que fique escrito antes de sabermos do desfecho do campeonato:

devemos renovar com Jorge Jesus. Após duas épocas a cometer erros - mais do que básicos, erros estranhos - o que Jesus fez este ano com o plantel desequilibrado que tinha na mão é de uma qualidade inegável. 

O campeonato está próximo da perfeição - um erro crasso, é certo, contra o Estoril, que provavelmente custou-nos o título, mas porque o Porto tem feito outro fabuloso campeonato -, na Champions falhou, mas recuperou na Liga Europa onde chegou à final com todo o mérito e a perdeu com muito, muito, muito azar - o que eu vi em Amesterdão ao vivo, aquele jogo da nossa equipa contra uma equipa forte apesar de mal orientada, não é obra do acaso: há trabalho de qualidade de Jorge Jesus; provavelmente, o melhor jogo do Benfica em toda a época. E ainda o Jamor, onde provavelmente levará a Taça para o museu do Benfica. 

Nunca posso considerar "brilhante" uma época em que o Benfica "só" vença a Taça de Portugal, mas posso deixar de olhar apenas para os resultados e analisar o caminho até às decisões. Jesus inventou, criou, desenvolveu novas soluções num plantel parco de alternativas credíveis para certas zonas do campo - laterais, centrais, médios 6 e 8. Não será brilhante, mas será muito boa uma época em que ganhemos Campeonato e Taça e boa se apenas ganharmos a última, tendo em conta a presença na final de uma competição europeia e um campeonato disputado até à última jornada. 

Jesus tem defeitos? Tem e continuará a tê-los enquanto não estiver sustentado por uma estrutura que, nas alturas cruciais, saiba calar-se quando deve e falar quando não deve estar calada - no Benfica, é ao contrário: a possibilidade de sucesso fez com que a cagança voltasse a surgir e a partir desse momento foi o descalabro. Mas o maior erro da estrutura esteve antes, muito antes: quando não deu ao seu treinador o que era evidente que ele tinha de ter: pelo menos mais um médio que servisse de opção a Matic e Enzo, um central de qualidade superior ao fraco Jardel e um lateral-esquerdo que não estivesse em aprendizagem dentro da competição. Não lhos deram, Jesus fez o que pôde. Mas não pôde tudo, como era expectável. E, assim, nos momentos decisivos, o Benfica falhou.

Não se perguntem se Jesus deve ou não renovar - deve; perguntem-se antes se devemos renovar com estes dirigentes - não devemos. Enquanto Vieira se mantiver no Benfica, nunca teremos sucesso continuado - tenham lá o Mourinho ou o Guardiola ou o Jesus. Porque o homem ainda antes de poder ganhar alguma coisa já demonstra não saber ganhar coisa nenhuma. E por isso perde. E perderá. E perderemos mais vezes do que as que ganharemos. Mesmo que, de tempos a tempos, apareça um título esporádico. Que, rezemos todos à espera do milagre, pode ser já hoje.

Peregrinação

Está feita a promessa: se formos campeões, vou a pé até Paços de Ferreira. Se há uns malucos que fazem milhares de quilómetros por uma coisa inexistente, parece-me que pelo Benfica faz um bocadinho mais sentido.

Sábado, 18 de Maio de 2013

Kentucky Fried Entremeada

Ali, onde agora vive um senhor mamarracho de nome Colombo, era um baldio de terras aos solavancos, couves, armaduras de príncipes antigos e casas da idade do Fernando Pessoa. Ali, onde a esta hora senhoras elegantes e meninas petulantes encontram mais uma fantástica bugiganga para encher a vaidade dos quartos e salas de estar, foi, um dia, um parque arcaico de estacionamento, um caminho tortuoso até à catedral e uma enorme sala de repasto benfiquista. Ao ar livre, como tinha de ser. 

 O carro estacionava-se a 2 quilómetros do Estádio e a partir daí punham-se galochas e enfrentava-se o lamaçal. Antes de chegarmos ao repasto, deliciava-nos todo aquele benfiquismo em forma de gente: grupos de 10, 15 pessoas faziam círculos imperfeitos em volta de uma fogueira, de um fogareiro e de uma panelona digna de reis que no seu interior aquecia e amparava um bruto cozido à portuguesa ou, para os mais sensíveis às vicissitudes das transformações gástricas, um belo de um caldo verde, recheadinho com chouriço do melhor que podia haver; para beber, tinto, que era a cor e bebida naturais de quem, por dentro, levava acesa a chama imensa. 

 Normalmente, eram homens, pais e filhos, poucas mulheres e ainda menos filhas. No entanto, a equipa feminina de cada família tinha também o seu ofício, visto que vinham das mãos delas os repastos que tanto aconchegavam o estômago e o coração dos seus mais-que-tudo. A fome e a sede, ali, naquele sítio onde hoje ardem galinhas de Kentucky e carnes do Sr. MacDonald, não eram mais do que a medida certa para o impulso de noites de glória. Começava com o ritual de comer e beber; acabava em goles de golos. 

Para quem não levava metade da casa atrás, esta era uma visão que aproximava e apaixonava e servia de entrada ao que viria a ser a refeição, sentados que ficávamos em banquinhos corridos de madeira rodeando as casas de repasto, quase sempre entregues a famílias inteiras. O ritual era simples: fazia-se um rectângulo de balcões, em volta bancos para os benfiquistas não comerem de pé e lá dentro era uma festa de cerveja, vinho e cheiros de carnes com muita gordura. Para os meninos, trina de laranja, para os pais, vinho em barda, que a noite era uma criança. Nos entretantos, enquanto se trinchavam pedaços de entremeada, febras e as sopas iam ao lume, e regados, bem regados, a cerveja, a tinto, a branco e, para os mais friorentos, a abafadinho, discutiam-se onzes, dizia-se mal do treinador (sim, já na altura acontecia) e ansiava-se pela hora da visão gloriosa de um relvado iluminado por 4 focos de luz. 

 Os pais faziam a sua pedagogia, perguntando aos filhos o nome dos 11 heróis que iriam entrar em campo, os filhos acertavam em 3 ou 4 jogadores mais conhecidos e de tempos a tempos até aparecia um que falava no nome de um jogador de um rival nacional. O pai não gostava, batia com o copo com força na madeira e gritava: "esse é lagarto, filho!" e o filho, que nunca se tinha apercebido de que os homens tinham a capacidade de se metamorfosear em répteis, bebia mais um gole de trina enquanto dizia para dentro que nunca mais abria a boca para dizer o nome daquele jogador. 

E o mais bonito de tudo era quando, na mesma mesa, se juntavam avô, pai e filho. E todos eles, ali sentados em redor de um objectivo, apesar das idades, a sentirem o mesmo: a pulsação acelerada, a ansiedade, o nervosismo, a paixão. Todos eles com o coração da mesma idade.



Os putos foram campeões nacionais. Parabéns, rebentos. A ver se o feito de hoje é o prenúncio de um dia de milagre amanhã.

Mau-olhado

Após demorada introspecção e muita conversa Amesterdão-Lisboa, já descobrimos o problema do Benfica: lançaram um vil e ignominioso quebranto ao nosso clube. Isto agora só vai lá com benzeduras e horas à espera que o azeite volte a juntar-se.

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

O Porto não ganha. Nós sim?

Já não sei se é da demência de ter assistido a mais uma semana surreal na vida do nosso clube ou se é por de facto acreditar, mas deixem-me que vos diga uma coisa: o Paços no Domingo não vai perder o jogo. 

Resta saber uma outra nuance: o Benfica ganhará o seu jogo? Se sim, poderemos estar a dois dias de uma festa tão surpreendente para quase todos que ainda vai saber melhor. Se não, teremos motivos para consultas psiquiátricas diárias nos próximos 500 anos. 

E, por favor, se o Paços perder o jogo não apareçam com as teorias da conspiração. Se o Benfica perder este campeonato, deve-o a si e apenas a si.

Domingo ver-vos-ei no Estádio da Luz.

"When all else fails, we can whip the horse's eyes. And make them sleep, and cry."




Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

E agora, Benfica?

Chegar a Maio em condições de conquistar três competições era algo que no início desta temporada nem nos meus melhores sonhos conceberia. Mas não é menos verdade que duas dessas competições foram à vida no momento das grandes decisões – que me perdoem os crentes num milagre na Mata Real.

Independentemente de conquistarmos ou não a Taça de Portugal, as questões que vos coloco são as seguintes: O que deve mudar no Benfica? O que deve manter-se como está? No fundo, que futuro para este Benfica vertiginoso que nos dá tanto de euforia quanto de depressão?

Chibem-se para aí, companheiros.

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Podíamos ter sido Benfica. Fomos Corunha.

Faz hoje 19 anos que o Benfica foi Benfica. Faz hoje 19 anos que o Deportivo da Corunha deitou o campeonato perder no último minuto. Resta-nos esperar o Djukic seja titular pelo Chelsea no jogo de amanhã. E se ainda conseguir apanhar o avião para a Mata Real a tempo de alinhar pelo Fcp, tanto melhor.


Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Glorioso "Sr Manuel"

Podia ser mais uma viagem, como tantas outras que fiz esta época e nas passadas. Mas não é, esta tem tudo de diferente. É especial.
Em 37 anos de vida nunca assisti ao vivo a uma final europeia. Pela tv, já assisti a tudo em que o Benfica marque presença por esse mundo fora. Mas o brilho das camisolas berrantes, através das câmaras, não é o mesmo, por muita qualidade que tenham, pela tecnologia de ponta mais avançada que disponham. Seja numa final, seja num amigável ou seja num solteiros contra casados, dentro ou fora dos limites do nosso rectângulo e ilhas.

Até o palco dos sonhos foge à tradicional denominação de "Estádio". 
Num lugar mítico para o Benfica, jogaremos esta final numa Arena, nome digno de guerreiros, da nobreza, de classe: "Arena de Amesterdão". Um belo nome e um melhor local para trocar as voltas ao nosso "Feiticeiro" e à sua "maldição". Foi  em Amesterdão que conquistamos o último troféu europeu, precisamente ao comado de Guttman.

Pareciam estar reunidos, desde há umas semanas, todos os factores para que considerasse a minha primeira final europeia, especial. Mas não estavam.. 
No passado sábado percebi que, para enfrentar a maldição de Guttman, ainda teria que provar a resistência a obstáculos profundos, dores inesperadas. Como se algo ainda faltasse para testar a minha aptidão na resiliencia e amor ao Benfica. Como se necessitasse de uma prova final para aspirar a contrariar tão bravo desafio: pôr cobro a uma alucinação de Guttman que se abate sobre nós, há mais de 50 anos.

Sentada no chão frio dos corredores do estádio do dragão, enquanto esperava para sair, com a cabeça assente em ambas as mãos, não sentia ponta de vida em mim. Inerte, com os gritos ainda no estádio a perfurarem-me o coração, procurava no mais profundo do meu ser, força para reagir. O respirar e a lágrima que me percorreu a face davam-me sinais de vida. Sinais que não conseguia encontrar à minha volta, nos e entre os meus, que deambulavam pelos mesmos corredores, talvez em busca do mesmo que eu.. 

De forma mecânica segui no cortejo até ao destino enquanto tentava organizar os pensamentos, partilhar a desilusão e encontrar entre semelhantes, um sentido, uma razão, uma luz. Cantávamos para espantar males, balbuciávamos uns com os outros na esperança de libertar aquele colete de forças invisível que nos tolhia o corpo e parecia ramificar-se pelo nosso intimo. 
Passávamos por pequenos núcleos de adeptos portistas que, através dos seus cânticos, faziam questão de apertar o colete de forças em que nos víamos e nos debatíamos para nos libertarmos.
Até que, quase no destino, por entre os estreitos quelhos que passam pelas traseiras da estação de Campanhã, no cimo de um terraço de pedra, no meio daquele bairro, olhamos para cima e seguimos a voz que se fazia ouvir sobre as nossas cabeças. Seguimos aquele cântico como um navio segue a luz de um farol numa noite de tempestade e mar revolto. Umas mãos enrugadas seguravam convicta e fielmente um cachecol do Benfica sob os cabelos brancos, enquanto numa voz profunda, segura e atabacada, nos gritava: "Benfica! Benfica! Vivó o Benfica!". 
No meio de pedra e cimento, entre focos hostis, aquele velho pegou-nos ao colo, afagou-nos com toda a sua coragem e amor pelo Benfica. Deu-nos o soro da vida. As vénias e as salvas de palmas com que agradecemos não fazem justiça nem alguma vez pagarão o que o "Sr Manuel" nos deu. 

Não há maldição que resista a um vaticínio de um "Sr Manuel"!
Obrigada. Obrigada Benfica. Só TU és capaz. 
Temos um caneco para conquistar. Os "Maneis" desta vida merecem-no. E nós aprendizes, também. 
Amo-te Benfica.

Boa semana para todos. Espero voltar no Domingo como voltaram outros bravos de Berna e Amesterdão. Nem mais nem menos. A sentir o que eles sentiram. VIVÓ BENFICA!

Pietra e Manniche já vão a caminho de Amesterdão. Pausa para sandes de torresmos e bagacinho.


Vou-me embora, vou partir.

Nada melhor depois de uma tortura como a do Dragão do que poder ir, dois dias depois, embora deste mundo. Ou pelo menos deste país, desta cidade, dos jornais e das televisões, das vozes na rádio, das notícias, das conversas. Ir embora e se possível nunca mais voltar. Deixar o legado benfiquista para os amigos: "peguem, é tudo o que tenho" e partir. Partir e talvez nunca mais voltar.

É possível que volte, no entanto. A coisa está marcada aí para Sábado ou Domingo, o mais tardar. Virei, como irei, de carro. Para lá, amanhã às 20h, a 500 e tal de velocidade a ver se ainda consigo chegar a Amesterdão na Terça à noite; para cá, na Quinta-feira devagarinho, devagarinho, curtindo bem as papoilas, as vacas, os cheiros, os tachos de comida e os vinhos. É possível - muito possível - que aconteça Brugges na vinda. E depois Caen e a passagem do lombo pelas praias que viram o desembarque aliado na Normandia. É possível que o centro e o Sul de França. Depois o País Baixo, quem sabe Salamanca depois?, e acabe então no mesmo sítio de onde parti: junto ao Pai, pintado na parede. 

No meio disto tudo, há uma final europeia para ver. Tenho feito um esforço giganto-megalómano por não ter esperança. Coisa nenhuma, zero, nicles batatóides, niente, nada. Finjo-me constantemente de descrente, lembro-me da tortura de Sábado à noite. Não quero, não posso, não sei sofrer outra vez assim quatro dias depois. Mas há de dentro do peito, num rio que passa por entre as conchas do coração, uma nova fonte a jorrar. Já a sinto outra vez a trazer águas, a irrigar os campos todos à volta, a corrente a ganhar forma e força, o caudal mais poderoso - sim, já estou feito ao bife outra vez: tenho esperança. E é com ela atrelada ao carro que vou ganhar forças para sair de junto do Pai Cosme logo à noite. Impossível ser do Benfica e não ter esperança. 



Domingo, 12 de Maio de 2013

O último reduto de esperança: o benfiquismo de Paulo Fonseca.

Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais, Momentos cruciais.

Medo.

Desilusão


Não há volta a dar estou muito desiludido. Acreditava sinceramente que ganharíamos hoje (ontem). E continuei a acreditar até que sofremos o 2-1. Como disse em devido tempo, com duas equipas muito iguais, apenas um detalhe decidiria o jogo. E assim foi, Helton, que já na Luz negara a vitória ao Benfica, voltou a fazê-lo e novamente ao Cardozo. Do outro lado o Artur não conseguiu fazer o mesmo ao remate do Kelvin.

Por um golo se ganha, por um golo se perde. Num campeonato marcado pela mediocridade em que duas equipas são muito superiores às outras, foi no confronto directo que o campeonato se decidiu. Não estamos mais perto de quebrar a hegemonia deles, mas estamos mais perto de sermos campeões.

Esta derrota deve ter sido particularmente dolorosa para o treinador e para os jogadores, obviamente que nem falo dos sócios e adeptos que como eu estão devastados. Mas a vida não acaba aqui. Temos que lamber as feridas e prepararmo-nos para a final de quarta, essa perante um adversário bem mais difícil, com jogadores muito superiores aos de hoje, mas se calhar colectivamente menos forte.

Fisicamente foi mais um jogo desgastante para jogadores já muito cansados, mas o pior impacto é o psicológico. Esse golpe é o mais duro. é aqui que nós podemos fazer a diferença. Temos que ser nós a acreditar e a ajudar a equipa a recuperar. Temos 2 competições ainda para ganhar. Não vamos deixar que de época de sonho se transforme em pesadelo.

Proença esteve bem, apesar dos erros dos auxiliares. Quando a pressão é bem feita, conseguimos não ser prejudicados e isso é só o que interessa. O Porto ganhou porque marcou mais um golo. É tão simples quanto isto. E no fim de contas, ganha quem marca mais. Serão eles os campeões, pois um Paços que já obteve o resultado que lhe interessa não vai ser um obstáculo difícil. Podemos ter tido azar, mas já tivémos sorte noutros momentos. No fim de contas e por muito que não gostemos, a serem campeões, eles merecem, como nós também mereceríamos se fôssemos.

A equipa deu o que tinha e por isso merece o meu respeito e deve merecer o vosso. O adversário foi melhor pois ganhou o jogo. Para o ano temos mais, voltaremos com mais ganas para ganhar. O campeonato já é passado, agora só interessa Amesterdão. Temos a glória europeia ao nosso alcance. Vamos pelo menos quebrar a puta da maldição que paira sobre o nosso clube.

Tenho um orgulho imenso em ser Benfiquista.

Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Planos para o fim-de-semana.


SÁBADO: ser campeão. Passar a noite a mamar copos e a gritar "Benfica" pelo menos durante 7 horas seguidas. 

DOMINGO: arranjar forma de ter bilhete para o Jamor enquanto mamo copos e grito "Benfica" pelo menos durante 20 horas seguidas. Não faço ideia como: nem estou em Lisboa nem sou Premium. Serei apenas um mero e pobre sócio - uma grande chatice. Para aliviar, se não tiver bilhete para o Jamor, aproveito e continuo a mamar copos. 30 horas seguidas a gritar "Benfica". 

 SEGUNDA: 40 horas seguidas a gritar "Benfica" e 10 litros de uísque depois, parto de carro para Amesterdão, no qual instituirei a nova canção da moda: "BENFICA, BENFICA, BENFICA!". Vou a mamar copos até Quarta e chegarei à Arena a gritar Benfica há 4 dias seguidos.

Tenho um bilhete da Final de Amesterdão para venda. Troco por 3 golos do Lima.

Encontremo-nos para um pic-nic à Benfica

Companheiros, é só para avisar que eu vou de carro para Amesterdão. Sairei, com mais 3 amigos, na Segunda à noite para chegar Quarta de manhã à Holanda. Se há malta que também vai pela estrada, falem-nos do vosso itinerário a ver se nos encontramos pela viagem.

Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

A hora é boa e o samba começou.

Meus caros, se for Proença é Proença, caralho. Somos ratinhos ou somos o Sport Lisboa e Benfica? Somos melhor equipa, temos melhor treinador e temos jogadores com uma moral em alta por podermos ganhar 3 troféus em duas semanas. É este o desafio. Já chega de lamúrias, de choros, de queixinhas, de paranóias colectivas, de conspirações absurdas. O Benfica se quer demonstrar que criou outra mentalidade tem de ir ao Porto e GANHAR. Se fizermos o futebol que sabemos, ganhamos, porque somos melhores. Ponto. 

 Há 22 anos os jogadores tinham merda - sim, merda! - no balneário, tiveram de equipar-se nos corredores, viram dirigentes serem agredidos, insultados, espezinhados, humilhados. E lá dentro? Foram duas batatas do César Brito e o título praticamente entregue. É hora, chegou a hora, já vai tarde: É AGORA, CARALHO. É AGORA, BENFICA!



Entretanto, nos céus do Seixal...


Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Por ti, companheiro.

«Cada vez que as bancadas da Luz se agitam e gritam golo, gosto de pensar que, algures, o meu Pai continua a levantar os braços, a sorrir e a abraçar quem ao lado dele estiver a assistir ao jogo.», António Lobo Antunes


Eu vi o meu Pai chegar a casa duas vezes com os olhos em chamas. Queria trazer-me, das duas vezes, as orelhonas da Taça dos Clubes Campeões Europeus nas mãos. Levantá-las-íamos nas mãos, poríamos a cadela dentro delas e gritaríamos a plenos pulmões e fígados, gargantas e corações: "BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA, BENFICA!". 

Da primeira, prometi-lhe em silêncio, na noite do dia em que chegou, deitado sobre os meus 6 anos e benfiquismo em maturação, que vingaria aquele penálti fatídico do Veloso. Da segunda, dois anos depois, já não me ofusquei no mistério e disse-lho, sem rodeios: "hei-de ganhar uma Taça por ti, Pai" e ele a rir-se, olhos de ternura para o mundo, tão cheio, tão completo de amor.

23 anos depois, corri meio-mundo para pagar a promessa. 23 anos depois, estou aqui, Pai, com este bilhete na mão para te dever o que prometi. O resto deixo com o Benfica. Mal ou bem, já ninguém nos tira este momento.


O Ontem vai ao estrangeiro de garrafão de vinho atrás.

O Ontem vai a Amesterdão ser representado por 3 escribas. Peregrinação! 

(gostava que a Direcção do Benfica explicasse de que forma defende os interesses dos seus sócios antecipando, sem aviso, duas horas para a abertura das bilheteiras. Mudam-se as regras do jogo a meio da viagem, é?)

Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Para que fique escrito antes das decisões


"Quando mija um português, mijam logo dois ou três" diz o povo e assim é. Neste caso seria quando escreve um blogger, escrevem logo dois ou três ... Já relembrei a todos da questão da época de 93/94 e já houve quem falasse da época 2004/05. A contra-argumentação bate no ponto que isso foi contra o Sporting e não contra o Porto. Têm razão, mas acima de tudo acho que o mais importante foi o banho de realidade que a equipa tomou. Não há jogos ganhos à partida. Nem ninguém deve insultar o Estoril por fazer aquilo que lhes pagam para fazer. Mais do que crenças, vamos a factos:

Benfica e Porto em condições normais ganhariam 32 dos 34 jogos do campeonato, dada a diferença das equipas para as demais se o futebol não fosse a caixinha de surpresas que é. Na verdade têm feito campeonatos espantosos e alguns percalços, sejam devido à falta de sorte, a arbitragens menos conseguidas, a desinspiração dos jogadores, a desgaste físico e psicológico das competições europeias levou a que perdessem alguns pontos com adversários de menor valia mas não de menor brio. É certo que as arbitragens, a sorte e o desempenho menos conseguido de alguns adversários em determinados jogos também contribuiram para essa senda de vitórias.

Daqui resulta para mim que quem for campeão, sê-lo-á com mérito e procurar explicações alheias é apenas querer tapar o sol com a peneira. O campeonato está muito desequilibrado e apenas a equipa que tiver menos falhanços poderá ser campeão. O jogo do título separará o trigo do joio, pois é impensável que quem saia na frente no final do jogo no sábado venha a perder o campeonato contra um adversário menos cotado. Visto que na Luz houve empate, este é o jogo que tira as teimas.

Percebo o que dizem o Ricardo, que complicámos o que era fácil, e o JC, que as caras de jogadores e treinadores mostraram impotência e pânico face ao desenrolar dos acontecimentos na Luz. Que a casa do Porto é um sítio onde normalmente perdemos e que o Jesus tem um bloqueio com o Porto. Mas o passado não joga, o que joga são 11 jogadores de cada lado. Nem o ambiente, que dizem ser tão terrível, uns meninos ao pé dos turcos, digo eu, sequer joga ou condiciona, ou pelo menos deveria condicionar o Benfica.

Eu sou daqueles que sempre defendi que o título tinha que ser definido nas Antas para se quebrar duma vez por todas o enguiço e a vantagem psicológica que eles têm sobre nós. Uma vitória lá e acabaremos com a garimpa deles definitivamente, assim saibamos gerir os próximos anos. Um empate e embora seja impensável a perda do campeonato em casa contra o Moreirense, eleva a dificuldade a um nível extremo, pois para além dum jogo muito competitivo nas antas, temos a final contra o Chelsea e acabamos o campeonato a ter que ganhar (a menos que empatemos a 3). Uma derrota e arrumamos a trouxa.

Seja qual for o resultado do jogo no sábado, acho que este foi o melhor ano de Jesus, apenas somou até agora 2 maus resultados - a eliminação da Champions para um Celtic de segunda categoria, o que nos permitiu ir à final da Liga Europa, e a derrota em Braga nos penalties. De resto, Jesus trouxe-nos onde devia, às decisões em Maio. Acabaram as quebras em Março/Abril. Chegados a 7 de Maio e ainda podemos ganhar 3 troféus. E podemos porque Jesus fez um grande trabalho. E fez um grande trabalho porque o plantel foi mal-estruturado. Já aqui foi discutido, é mais que óbvio e agora não interessa estar a falar disso, pois nada acrescenta e os balanços fazem-se no fim das épocas. Mas que os erros apontados em Setembro e em Janeiro existiram isso é indiscutível. Menos para quem não o quer ver.

Quanto ao árbitro do jogo, se fosse os dirigentes do Benfica vetaria 3 senhores - Proença, Xistra e Sousa. Não porque sejam corruptos, não se trata disso, mas porque têm um passado tal nos jogos com o Benfica que inconscientemente na dúvida as decisões nos são adversas. Presumo que do lado de lá também vetassem três - João Ferreira, Duarte Gomes e João Capela. Ficamos pois com Artur Soares Dias ou Olegário Benquerença. Sim, temos razões de queixas dos dois árbitros, mas quando beneficiamos, tendemos a desvalorizar as decisões que nos são vantajosas. Pessoalmente e apesar do erro em Alvalade no ano passado, preferiria Artur Soares Dias. Porque sei que é um árbitro que quer ser bom, e ser bom, não é pelos favores, é pela competência e que como qualquer árbitro também erra aqui ou ali, mas não vejo nele aquilo que vejo nos 3 que acho que o Benfica deveria vetar.

Aceito que estejam cépticos, desiludidos, mesmo pesssimistas e que isso em nada os faz menos benfiquistas que os que como eu acreditam. E acredito porque apesar de ontem ter visto algo que não gostei nada em Jesus, acho que ele evoluiu muito neste ano. Das 2 vezes que jogámos em Braga, ganhámos numa e noutra fomos jogar com uma equipa com poucos titulares com Rodericks a marcarem penalties. Esse foi um terreno conquistado psicologicamente. Não ganhámos na Luz ao Porto, porque o Helton defendeu aquela bola do Cardozo e acho que com esta chamada à realidade, com 4 dias de descanso, a equipa poderá apresentar-se com a frescura que lhe vinha faltando. E como já disse, 11 por 11, acho que o nosso é superior.

Não há cagança, há fé. Há a fé que nos move e nos faz seguir o Benfica até aos confins do Inferno se assim for necessário. Há a fé no que a equipa fez até agora, ainda não perdemos um único jogo para competições portuguesas nesta época (a derrota com o Braga foi nos penalties). Há a fé que feridos no orgulho a equipa saiba reagir à campeão.

E abro aqui um parêntesis para expressar a minha revolta com o que estão a fazer ao Carlos Martins. Ele errou. Foi o único ? Foi por causa disso que não ganhámos ? Em minha opinião não e não, é certo que a expulsão dele condicionou os últimos minutos, mas e o resto do jogo ? Foi ele que mamou aquele frango ? Foi ele que falhou golos inacreditáveis ? Foi ele que fez substituições incompreensíveis depois de estar gelado quando as coisas ficaram difíceis ? Foi ele que veio dar uma conferência de imprensa armada em cagão qunado ainda nada se ganhou ? Foi ele que ficou calado quando o jogo correu mal ?

Ontem quem não ganhou foi o Benfica, os seus jogadores, os seus treinadores, os seus dirigentes e o público, bem como os sócios e adeptos que lá não tiveram. Há responsabilidade de vários lados e assacá-las só a um jogador que já por várias vezes foi expulso sem sentido, é um acto de cobardia, de quem não assume as culpas e de quem quer arranjar um bode expiatório para as suas frustrações.

Depois disto só tenho dois pedidos a fazer, ao árbitro que faça o melhor que sabe e à equipa do Benfica que ganhe o jogo, que deixe tudo no campo, visto que se fizer isso, o resultado aparecerá. Senão aparecer, continuamos Benfica, a acreditar que os outros troféus são alcançáveis e que para o ano estaremos de volta mais fortes e dispostos a ser campeões.

Não, não me esqueço dos erros, mas tenho uma fé inquebrantável que vamos ser campeões, que as experiências da época fizeram crescer os jogadores, a equipa e o treinador e que com uma semana de permeio, só focados no jogo a disputar, como somos melhores, vamos ganhar.

Compro trevos de quatro folhas e patas de coelho

Leio por aí coisas como «vamos limpar os gajos em casa deles» ou «quem não acredita não é digno de ser benfiquista». Leio até que «este foi o melhor resultado que podia ter acontecido; eu quero é ser campeão no dragão». Gabo a confiança desta gente que deve ter dormido a noite passada bem melhor do que eu. Não é que eu não acredite, mas na verdade – e apesar de isto ser futebol e em futebol tudo poder acontecer – não posso deixar de estar apreensivo, pessimista, até, em relação ao próximo jogo.

Pedem-me para acreditar. Juro que tento, mas vem-me logo à ideia a imagem dos nossos jogadores desorientados frente ao Estoril ao perceberem subitamente que terão de pontuar no dragão.

Pedem-me para acreditar que vamos ganhar num campo dificílimo, com a nossa equipa em nítida quebra física e anímica, frente a um adversário com o qual temos um registo deplorável na era de Jesus, quando ontem, naquele que devia ter sido o verdadeiro jogo do título, a equipa vacilou. Juro que tento, mas depois lembro-me que - com todo o respeito pela história do Estoril e pelo magnífico campeonato que está a fazer -… era o Estoril, caralho! E foi na nossa casa, com o estádio cheio!

Pedem-me para acreditar. Juro que tento, mas não me sai da cabeça a imagem do treinador do meu clube a passar nervosamente as mãos pelo cabelo e a coçar o rosto com um indisfarçável ar de pânico. Como posso acreditar, quando os primeiros que deviam fazê-lo não me dão sinais disso?

Pedem-me para acreditar. Juro que tento, mas o passado recente diz-nos que temos saído vergados nos momentos das grandes decisões. Digam o que disserem, estes jogos ganham-se em grande parte pela força psicológica, que é, precisamente, o nosso calcanhar de Aquiles.

Vamos lá ver uma coisa: acreditarmos que vamos ser campeões porque temos fortes indicadores nesse sentido - um registo quase imaculado nos confrontos com o adversário, por exemplo  - é razoável. Já dizermos à boca cheia que seremos campeões, só porque sim, porque temos de apoiar e porque dizê-lo faz de nós os-melhores-benfiquistas-do-mundo, não só é imprudente como também é um bocado bronco, mais a mais quando estamos perante um adversário que nos tem dado sistematicamente na boca. E à bruta, ainda por cima.

Não é a mim que têm de pedir para acreditar. É aos jogadores e ao treinador que ontem ficaram completamente borrados quando se apanharam em desvantagem. Mais preocupante do que não termos vencido ontem, foi perceber o impacto terrível que isso teve nos jogadores e staff técnico. E o que eu vi foi muito medinho estampado naqueles rostos.

Claro que podemos ganhar ou empatar no dragão. A verdade é que até o Sporting conseguiu roubar pontos ao Fcp (olha, aqui está uma razão válida para eu acreditar mais um poucochinho). Mas que é pouco provável, lá isso é. Não sou eu que o digo, é o histórico recente de confrontos decisivos entre Benfica e Fcp.

Percebam isto: o trauma que eu tenho neste momento com o Fcp não é meu, é do Jesus e dos jogadores. O pessimismo que eu tenho para o próximo jogo não é meu, é do Jesus e dos jogadores. Se eu deixar de acreditar que podemos ser campeões, a culpa não é minha, é deles. A minha descrença é tão somente o reflexo da descrença deles. Não sou eu quem não acredita, são eles que insistem em fazer-me não acreditar.

Por agora, companheiros optimistas por natureza, permitam-me que fique deste lado. Aqui, neste cantinho dos racionais e dos pragmáticos; dos obtusos e dos cinzentões, dos infelizes e dos derrotistas, dos deprimidos e dos profetas da desgraça. Preciso disto, preciso deste luto como de pão para a boca. Faz parte de um processo de cicatrização complexo que dura não mais do que 3 a 4 dias. A vós, crentes e apaixonados, juntar-me-ei no sábado, esperançoso de que algo de muito bonito aconteça. Promessa de quem foi ao velhinho Estádio da Luz confiante que o Benfica conseguia virar a eliminatória de 4-1, favorável ao Bayern de Munique, com o Marcelo a ponta-de-lança.

Sábado, acreditarei como sempre. Hoje, não me peçam isso. 


Passámos da ciência à religião em menos de um Licá.

E agora? Agora resta crer. Mais do querer, resta crer. 

Não devia ter sido assim, não podia ter sido assim. Ao Benfica bastava ganhar, EM CASA, a Estoril e Moreirense para ser campeão. Leiam a frase outra vez, releiam. Sim, bastava isto. E o que fez o Benfica de Jesus? Aquilo que tem sido normal no Benfica de Jesus: falhou no momento crucial. Porquê? Bem, acho que as explicações já aqui foram dadas muitas vezes. Quem vê, vê; quem não vê, passará sempre o tempo a crer. E faz bem. Porque, de facto, é mesmo o que resta. Eu prefiro sempre a ciência à religião - não me levem a mal.

E agora? Bem, agora, além de restar crer, resta outra coisa: um desafio. Dos grandes. Há quem ache que defende o benfiquismo dizendo: "e agora, qual o problema? Vamos ao Dragão e saímos de lá campeões!!!!!", assim com muitos pontos de exclamação para todos verem o benfiquismo exacerbado, o verdadeiro, o impoluto, o fundamental benfiquismo. O melhor benfiquismo, porque para estas pessoas, mais do que a ciência, é a religião que as move. E é bonito e é sentido e é giro, mas é mais arriscado, mais difícil, menos competente. Releiam outra vez: bastava termos ganho, NA LUZ, a Estoril e Moreirense para sermos campeões. Se podíamos ter tido isto, porquê forçarmo-nos a um jogo de alto risco? Se tínhamos 95 por cento de possibilidades de sermos campeões há 24 horas, por que filha da puta de razão é que agora temos 20 ou 30? "Ah 20 ou 30, tu não és benfiquista!!!!!!!!!!!", assim como muitos pontos de exclamação porque toda a gente sabe que a exclamação está directamente relacionada com o nível de benfiquismo. Quem não coloca as coisas assim nestes termos, nestes pontos de exclamação que exclamam muito!!!!! MAS MUITO MUITO! COM CAPS LOCK E TUDO!!!!!!!!!!!!!!!!, é porque é mau benfiquista.

20 ou 30 por cento, claro. Porque o jogo é no Dragão - e eles têm muitos defeitos mas também grandes virtudes: principalmente a mentalidade vencedora; é por isso que eles vêm ganhar mais vezes à Luz do que nós vamos ganhar ao Porto -, porque esta equipa geralmente vacila nas alturas cruciais - ontem foi só mais um episódio -, porque o Benfica tem uma final europeia quatro dias depois, porque, porque, porque.

«Mas, Ricardo, ainda temos 20 ou 30 por cento»? Sim, companheiros, ainda temos. Agora resta crer. E aqui o científico vai comprar um fiozinho com a Nossa Senhora, vai comer uma hóstia, vai beber vinho e, para finalizar, vai apanhar o comboio para o Dragão. Até os cépticos, quando já nada mais podem fazer, têm de ir atrás da crença. Juntemo-nos, então, todos numa grande festa celestial. E, se Deus quiser, seremos campeões.

Ser benfiquista é difícil

Os Portugueses têm algum medo de ser portugueses. Olhamos em nosso redor, para o nosso país e para os outros e, como aquilo que vemos pode doer, temos medo, ou vergonha, ou «culpa de sermos portugueses». Não queremos ser primos desta pobreza, madrinhas desta miséria, filhos desta fome, amigos desta amargura. Os Portugueses têm o defeito de querer pertencer ao maior e ao melhor país do mundo. Se lhes perguntarmos “Qual é actualmente o melhor e o maior país do mundo?”, não arranjam resposta. Nem dizem que é a União Soviética nem os Estados Unidos nem o Japão nem a França nem o Reino Unido nem a Alemanha. Dizem só, pesarosos como os kilogramas nos tempos em que tinham kapa: «Podia ter sido Portugal...» E isto que vai salvando os Portugueses: têm vergonha, culpa, nojo, medo de serem portugueses mas «também não vão ao ponto de quererem ser outra coisa». Revela-se aqui o que nós temos de mais insuportável e de comovente: só nos custa sermos portugueses por não sermos os melhores do mundo. E, se formos pensar, verificamos que o verdadeiro patriotismo não é aquele de quem diz “Portugal é o melhor país do mundo” (esse é simplesmente parvo ou parvamente simples), mas, sim, de quem acredita, inocentemente, que Portugal «podia ser» (ou ter sido) o melhor país do mundo e (eis a parte fundamental, que separa os insectos dos cicofantas) «tem pena que não seja», uma pena daquelas que ardem para toda a vida nos peitos profundos das pessoas boas. 

 Ser português não é nem a sorte com que sonhamos (não queriam mais nada — nascer logo uma coisa boa!) nem o azar com que vamos azedando. Ser português é um «jeito que se aprende». Não é coisa que vá à bruta ou à má fila. Não é bem que vá a bem (precisa de ser ajudado), mas também não é mal que vá à bruxa. Ser português não é tanto ser feito à imagem de Deus, como os outros povos (todos eles felizes), como estar, à partida, «feito». Cada vez que nasce um ser humano e olha para o bilhete de identidade e verifica que calharam os pedregulhos e os pêsames da portugalidade, diz logo “Pronto — estou feito — sou português”. Devia ter juízo. A única coisa que o absolve é ter, também, razão. 

 Ser português é «difícil». O resto do mundo não compreende que os Portugueses são especiais, diferentes, bastante giros, bem-educados, antigos, espertos, casos sérios. O resto do mundo acredita sinceramente que o mundo seria exactamente o mesmo sem os Portugueses. Para a grande maioria da população da Terra, a própria «existência» de Portugal é uma surpresa. E não se julgue automaticamente que se trata de uma grande surpresa ou, sequer, de uma surpresa «boa». É mais uma surpresa do género “Ah, sim?”. Como quem aprende que o «baseball» teve origem nos «rounders ingleses». Ah, sim? Que giro! Agora sai da frente do televisor que eu quero ver se este Babe Ruth era tão bom como diziam. Para o resto do mundo, os feitos dos Portugueses não pertencem à história fundamental do Universo. Pertencem, quando muito, à secção dos passatempos, do “Não me digas!” e do “Acredite se quiser”. Ser português é um ser delicado. Ser português não é «ser humano». É ser que tem muito para fazer só para ser «vivo». 

 Os políticos dizem que é preciso andar para a frente, modernizar, desenvolver, «mudar» Portugal, presumivelmente para melhor, porque este (nisto estão todos de acordo) não presta. Os poetas sonham com países que nunca existiram ou existirão, ou que já existiram e jamais existirão outra vez. Ninguém está contente com o que é, ou com onde está, ou com o que tem. Os Portugueses, o povo, a nação, os ditos, os implicados, envolvidos e lixados, esses nem ideia têm ou fazem — para eles a própria noção de Portugal foi um raio de ideia para começar. Mas o que é preciso não é nem tão drástico nem tão espectacular. O que é preciso é «continuar» Portugal. 

 Continuar Portugal não é uma acção delicada, ou uma campanha urgente, ou uma tarefa que exija o sacrifício de todos os cidadãos. É simplesmente continuar a perguntar, a barafustar, a amaldiçoar o dia em que se nasceu desta cor, nesta pele, com este coração mole e fácil de apertar e espremer. Continuar Portugal é acreditar que a vida seria pior sem ele, pior se a Europa começasse pela Espanha, pior se fôssemos suíços ou belgas ou finlandeses. Continuar Portugal é ser português e dizer “Pronto, que se lixe, o que é que eu hei-de fazer?”. E acreditar na diferença que faz a nossa maneira de ser, e de sermos portugueses, como um cardiologista acredita que o coração foi feito para continuar a bater. E foi. E, o que é mais engraçado, continua! 

 Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Jorge Jesus

Peguem no jogo do fenerbahce e neste, 2 minutos na bimby e têm o nosso treinador e estes 4 anos de Benfica.