quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Pai, este título é para ti.

Parado, olhos na multidão em loucura, gente empoleirada nas estátuas da estátua do Marquês, cânticos, alegria, álcool, sonhos, fumo e luz, veio-me a ideia absurda, mas de todas as formas justa:

"E se arranjássemos um autocarro monstruoso, onde coubesse toda esta gente, e o fizéssemos ir desde o Estádio da Luz até ao Marquês, onde estariam jogadores, técnicos e dirigentes com cervejas na mão a aplaudirem os heróis?"

A Benfica TV entrevistar-me-ia, chamar-me-ia, enquanto eu gritava para os jogadores lá em baixo, recebia cachecóis do Enzo Perez e do Gaitán e diria uma coisa qualquer como isto: "quero agradecer aos jogadores e aos técnicos e aos dirigentes e a toda esta gente da estrutura do Benfica que comemora nas ruas de Lisboa a conquista deste título. O apoio deles foi fundamental. Sem eles, nada disto seria possível."

O Benfica somos nós. Todos. Até os que estiveram, não estando. Até os que, não estando, são os responsáveis pela presença dos que estiveram. Os que deixaram no Estádio o perfume do seu benfiquismo, nos filhos a semente do benfiquismo, no clube a memória das alegrias e tristezas, de tardes e noites a sentirem o Benfica, a propagarem o Benfica.

O Benfica somos nós. Todos. E este título, Pai, é para ti.



terça-feira, 22 de Abril de 2014

Juventus



Foi bom, tem sido óptimo, saborear o jogo e a festa de domingo. A festa que nos estava prometida, que nos era devida há 3 anos, finalmente chegou. O país de vermelho vestido saiu à rua e festejou. Festejou como só é possível de cada vez que o Benfica se sagra campeão nacional.

Não obstante, a época ainda não terminou, há ainda mais para jogar, para conquistar. E muito desse “mais” discute-se nos próximos dias, com a disputa da meia-final da Liga Europa com a Juventus e a meia-final da Taça da Liga com o FCP.

Foi com grande surpresa que vi a eliminação da Juve na fase de grupos da Liga dos Campeões. Não sei bem apontar razões para que tenha acontecido, pois os jogos do grupo em que os transalpinos se encontravam integrados, realizavam-se nos mesmos dias dos nossos. Porém, o plantel dos Italianos, tal como o do Benfica, é plantel de Liga dos Campeões e não de Liga Europa.

Nesse sentido, devemos entender que este será o primeiro adversário top que encontraremos nesta edição da Liga Europa, com a agravante de ser o clube proprietário do estádio onde se realizará a final da competição.

A Juve, normalmente, organiza-se num 3x5x2. Na minha opinião, o seu melhor 11 é constituído por: Buffon, Barzagli, Bonucci e Chiellini; Lichtsteiner, Pogba, Pirlo, Vidal e Asamoah; Tevez e Llorente. Neste 11 podem ainda entrar Cáceres, Marchisio, Giovinco ou Osvaldo, sem que a equipa tenha perdas significativas de qualidade.

Com uma defesa a três, nas alas vivem jogadores de elevado ritmo e capacidade física, que tanto asseguram uma defesa a 5 quando a equipa se encontra em processo defensivo, como asseguram toda a largura e alguma profundidade ofensivas quando a equipa se encontra com bola. No sector intermédio é, como em qualquer equipa que jogue, Pirlo o comandante máximo de todas as operações. Não tem, como nunca teve, grande intensidade, mas tem cada vez mais refinada a sua qualidade de passe e definição ofensiva, bem como posicionamento defensivo. Junto a si tem uma escolta de honra constituída por Pogba e Vidal. Dois jogadores com uma intensidade tremenda que emprestam à equipa toda a agressividade que Pirlo não consegue dar. Pogba e Vidal são dois tanques de combate, mas também excelentes jogadores no plano técnico. Ambos têm grande capacidade para ultrapassarem linhas em posse, bem como boa capacidade de remate, contando já com vários golos marcados – O chileno é o marcador principal de grandes penalidades. Na frente, o espanhol Llorente é o jogador mais posicional, sendo mestre a segurar bola enquanto aguarda pela subida dos companheiros. À excelente estampa física junta uma boa capacidade técnica e um jogo aéreo assinalável. Ao espanhol junta-se El Apache Carlos Tevez, como elemento mais vagabundo do ataque italiano. O pequeno bombardeiro argentino tem carta-branca para actuar em toda a largura da frente de ataque, sendo temível quando se encontra na meia-esquerda e flecte para o centro, podendo assim aplicar o seu forte remate de pé direito.

Quanto a mim, o maior perigo da Juventus, surge pelo seu jogo interior, seja na capacidade de penetração em posse dos dois escudeiros do estratega Pirlo, com triangulações efectuadas com os alas e a dupla atacante, seja na capacidade de remate de ambos ou pela capacidade que Pirlo tem em colocar bolas a longa distância, sendo-lhe de fácil execução uma mudança de flanco eficaz, aproveitando assim o natural desequilíbrio do adversário.

A nosso favor há o facto de todos os centrais transalpinos serem algo duros de rins e lentos, aspectos que podem ser explorados pela mobilidade e rapidez da nossa melhor dupla atacante (Lima e Rodrigo) – embora seja provável que Cardozo seja um dos titulares. Com dois extremos que se movimentam tão bem no espaço interior como Gaitan e Markovic, podemos aproveitar essa mobilidade para explorar algum eventual arrastar dos centrais adversários, por via da movimentação dos nossos avançados ou, caso não aconteça, explorar os flancos, onde pode haver espaço por via da forte propensão ofensiva dos alas da Juve. Caso seja Rodrigo o elemento mais recuado da nossa dupla ofensiva, pode estar aqui também um factor de desequilíbrio, pois o jovem espanhol pode e deve aproveitar a falta de intensidade e velocidade de Pirlo, desequilibrando assim no espaço deixado entre as costas deste e os centrais.

Sob o ponto de vista defensivo será importante que o homem mais recuado do ataque, seja capaz de “morder os calcanhares” a Pirlo, não lhe dando espaço para decidir e executar com qualidade. O experiente médio italiano é simplesmente genial quando encontra espaço e tempo para executar, mas não dispõe de grande capacidade para se desenvencilhar do 1x1.

Uma forma de limitar os movimentos verticais dos médios e auxiliar os centrais na luta com a dupla atacante da Juve, pode residir na capacidade dos laterais se juntarem aos centrais e assim formarem um bloco compacto na zona interior, deixando o acompanhamento dos alas adversários para os extremos.

Em suma, este será o adversário mais competente que teremos pela frente na presente época, mas a eliminação está longe de ser uma inevitabilidade. Será sempre difícil, mas longe de impossível.

domingo, 20 de Abril de 2014

o abraço


Acordou sozinho, nesse Domingo de Páscoa. Era a primeira celebração da Ressurreição de Cristo que havia de passar fora do seu Caramulo. A primeira celebração que havia de passar longe da família. Acordou com a boca seca e o sabor a saudade. Correu, fugindo aos cânticos alegres que entoavam na Igreja em frente, para o mar, para esse Atlântico purificador que banha a Ilha, esse mar que, a cada ano, recua derrotado pela Babel que é hoje Luanda. Cumprido o ritual matinal de Domingo, é hora de regresso a São Paulo. Pelo caminho, camisolas vermelhas a lembrar que também ali há Portugal, a lembrar-lhe essa outra festa prometida para mais tarde, essa outra celebração que, para ele, soava desta vez mais a Via Sacra do que a Ressurreição.

Luísa, sua filha, aguardava esse mesmo jogo. Mas longe, demasiado longe. Luisa, sua filha, era sua companheira de mesas de café onde, juntos, vibravam com as camisolas berrantes, onde, juntos, discutiam substituições, penalties e foras-de-jogo. Sem isenção, sem parcimónia, mas com cumplicidade. Nunca esperara que o futebol se tornasse esse forte elo entre eles, entre pai e filha. Nunca esperara, nunca o procurara, nunca precisara dele. Mas o certo é que ali estava ele, o jogo que os fazia abraçarem-se em bancadas de Estádios, comemorando golos de Cardozo, Martins, Lima ou André Gomes. Que os fazia rir vitórias ou chorar derrotas. Ou traumas recentes que não serão lembrados hoje quando, mais logo ele sair para a Vouzelense pensando na Luisa. E mais ainda quando, no calor de Luanda, sair com um cachecol vermelho. Tão inapropriado como a distância que o destino entendeu colocar entre ele e Luisa, sua filha. No dia de Ressurreição de Jesus. No dia do 33º título do Campeão dos Campeões. Hão-de comemorar juntos sim. Faltará, em todo o caso, esse abraço que hoje, mais do que qualquer outra coisa, desejava...

sábado, 19 de Abril de 2014

Reservado



Desde ontem têm chegado ao facebook do “Ontem” dezenas de fotografias oriundas dos mais diversos lugares do país e do mundo que documentam uma reserva nacional e internacional das praças mais emblemáticas de cada região.

Devo dizer-vos que é delicioso receber, ver e publicar tamanho benfiquismo. É emocionante rever toda a nossa grandeza. É apaixonante sentir toda a nossa volúpia vermelha.

O país e o mundo estão reservados para nós, estão reservados para o Benfica. Já nada o pode impedir, seja hoje, amanhã, na próxima semana, no próximo mês, o mundo vai explodir de vermelho, uma onda, um mar, um tsunami de proporções incalculáveis atingirá qualquer cantinho deste ou doutro qualquer mundo onde bata um coração vermelho sangue.

Cá como lá, seremos campeões. E de cá para lá vai a nossa melhor homenagem e o nosso maior Obrigado. Eusébio, Sr. Coluna e demais habitantes da tribuna Cósmica, este é vosso, é nosso, é do Benfica.

A quem se pergunta pela mística do Benfica, terá aqui a sua resposta. A quem duvida que o Benfica é mais especial que os especiais, mais que os melhores, terá a sua prova. A quem desconhece a dimensão do Benfica, verá e não esquecerá o universo pintado de Vermelho.

Sejam bem-vindos ao glorioso mundo do Benfica!


P.S. Ainda que não seja este o timing correcto, mas porque este foi o primeiro post que fiz desde o sucedido, gostaria de endereçar a Luís Filipe Vieira e a toda sua família, as mais sentidas condolências

Salzburgo está em modo RESERVADO. Wolfgang Amadeus aprova.


(Na página Facebook do blogue podes acompanhar mais dezenas e dezenas de RESERVADOS em Portugal e no Estrangeiro)

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Prometeste e cumpriste, André.

Em 2008 André Gomes foi dispensado do Porto. O coordenador da formação portista era um gajo chamado... Luís Castro. 

Salta para nós, puto!


quinta-feira, 17 de Abril de 2014

A noite que pode ter mudado o futebol português

Calma. Este não é mais um texto de um benfiquista tão cheio da habitual pesporrência benfiquista que, após rara vitória sobre o Porto, descobre um futuro radioso. Não, temos a noção das coisas: nos últimos 20 anos, o Benfica venceu 3 campeonatos, este ano vencerá o 4º. Taças de Portugal? Há 10 anos que não ganhamos uma, histórico recorde negativo em 110 anos de Sport Lisboa e Glorioso Benfica. Mas há qualquer coisa, algo que..., há um não-sei-quê que promete. Fiquemos assim: há uma promessa grande neste Benfica. Houve, na noite de ontem, um cheiro a futuro. E como foi bom cheirar, ouvir, deglutir, comer, tocar, ver Benfica. 

Há pena naquela expulsão. Um vermelho que surge de uma certa capacidade histriónica de Siqueira para a estupidez - já em Barcelos o tínhamos notado, e ao vivo, claro, que o Benfica é para comer ao vivo, não na internet empunhando espadas StarTrek, mexendo no aro dos óculos ou contando cartas de Magic (seja lá o que isso for). É pena porque estava a ser de tal maneira dominante o nosso jogo que o impensável era não acabarmos a primeira parte com um 3-0, um 4-0, provavelmente um 33-0. Claro, falar-se-á em Proença e na sua malvadez contra o Benfica. Permitam-me que discorde: Siqueira é expulso porque é burro, apesar de ser bom jogador - oxímoro fascinante que, não explicando nada, explica tudo. E ficámos com o menino nas mãos.

Como este não é um texto de análise sequencial sobre o jogo, deixem-me que recorde algo importante e anterior ao mesmo: o onze. Jorge Jesus tem uma tendência natural para inventar nos jogos contra o Porto. Não é embirração minha - até porque ustedes sabem que gosto do bípede -, é um facto. Ontem decidiu inventar André Gomes a médio-defensivo; ideia que, se andarem atentos a este blogue, tinha sido explorada por mim há pouco mais de uma semana, talvez duas. A questão é que, como também vinha nesse meu texto, para explorar o nosso puto nessa posição era preciso que ele fosse sendo testado e não atirado aos dragões sem mais nem menos. O resultado foi uma primeira parte em que vimos Gomes tão deslocado do centro do jogo - puxado pela movimentação dos portistas, sobretudo de Fernando e Quaresma; o primeiro porque sabe muito de futebol, o segundo porque instintivamente, mesmo sem saber, causa feridas e fossas e crateras e fissuras - que chegámos a pensar que André seria extremo, lateral ou até treinador Jesus - que, como também sabemos, às vezes entra em campo mesmo com a bola a rolar. Facto é que Gomes foi crescendo durante o jogo e só não me adianto mais em elogios ao rapaz porque já está vendido ao fundo do Jorge Mendes. Obrigado, no entanto, por aquele golo tão cheio de talento que deu futuro ao Benfica e pode mesmo ter mudado o futebol português.

E assim chegamos a 17 de Abril com o Campeonato no bolso, na final do Jamor, nas meias-finais da Taça da Liga (mais um belo jogo contra o Porto - vamos ao Dragão, camaradas? Ou ficamos todos a empunhar uma espada de Game of Thrones?) e a dois jogos da final da Liga Europa. Uma equipa que joga assim 70 minutos com menos um jogador contra o Porto - mais fraco, muito mais fraco, do que o habitual, mas ainda assim... o Porto -, pode e DEVE ambicionar ganhar tudo. Fantástico trabalho de Jorge Jesus, pois claro, que todos os anos leva sarrafadas da estrutura, fica sem jogadores, dizem-se barbaridades, cometem-se exageros linguísticos, inventam-se novas formas de estragar o Benfica, e ainda assim lá continua o homem da Reboleira a descobrir bons jogadores em medíocres, excelentes em bons, geniais em excelentes. E a pergunta persiste: o que seria do Benfica de Jorge Jesus se tivéssemos... estrutura?

A mesma estrutura que terá de responder a várias questões, a principal esta: e para o ano? Vamos calar o bico, perceber que estamos, bem, a afundar o Porto num equívoco do qual só sairá se o deixarmos? Ou vamos ao Barbas, faremos mais umas entrevistas ranhosas armados em chulos do Bairro Alto e prometeremos finais da Champions? Conseguiremos trabalhar no silêncio e aprofundar o declínio portista com competência ou vamos desculpar daqui a uns meses a má entrada no campeonato com coisas tão absurdas como "andámos a festejar em demasia"? Ou, ainda pior, "não devíamos ter sido campeões"? Às vezes tudo isto parece tão irreal. 

Mas deixem-me que vos diga uma coisa: Ontem, Glorioso Sport Lisboa e Benfica, vi-te no Estádio da Luz.



Mais que um Clube


Foram mais as vezes que este clube, o meu clube, me fez chorar de tristeza que de alegria. Nem vale a pena enumerar os múltiplos episódios. Hoje, o que se viveu na Luz foi absolutamente mágico. É difícil pôr em letras aquilo que sinto hoje enquanto benfiquista. Somos mais que um clube. A vitória de hoje, nas condições em que foi conseguida, tem um carácter tão épico que parece uma daquelas histórias que se contam às crianças em que o Bem triunfa sobre o Mal. 

Hoje tive a sensação de aquilo que me foi tirado durante os últimos 20 anos estava a ser reposto. Todas as alegrias, todos os troféus roubados estavam ali a cair perante os meus olhos. Tudo devolvido ao Benfica sob a forma de uma vitória que assumiu contornos de uma surrealidade sádica digna de um quadro de Dali. Uma alegria e um sentimento de pertença a uma família gigante que não conhecemos mas que acarinhamos que são difíceis de descrever.

A tal hegemonia do futebol português conquista-se assim. Com vitórias épicas e títulos conquistados dentro de campo. Com emoção e paixão fora dele. A Mìstica do Benfica é isto. Este grupo está a escrever uma das mais belas páginas da história centenária deste clube. A nós, adeptos, cabe-nos ajudar a escrevê-la. Vamos a isso?

P.S. Os pêsames, sinceros, ao presidente Luís Filipe Vieira nesta hora difícil. Independentemente de desavenças futebolísticas, mãe é mãe. Nas vitórias e nas derrotas.

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Épico

Um grande abraço aos incansáveis adeptos benfiquistas que hoje marcaram presença na Luz. Aos que não foram por preferirem ir à anunciada festa de domingo, os meus sentimentos. Perderam a oportunidade de ver ao vivo o jogo e, muito provavelmente, o golo do ano.

Ao intervalo

Filho da puta.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

O futuro é amanhã



Encher o Estádio da Luz amanhã é tão ou mais importante do que enchê-lo no domingo. Este Fcp - o pior Fcp de que há memória em largos anos - tem que levar martelada do Benfica. E martelada da grossa. Há aqui uma oportunidade de ouro para inverter um ciclo, afastar fantasmas, acabar com traumas, matar borregos (e outros clichés que não me ocorrem de momento mas que são perfeitamente aplicáveis a esta situação), que não sabemos quando voltaremos a ter. Aproveitemo-la, pois então.


Afastar o Fcp da Taça de Portugal é o primeiro passo. Se o fizermos com uma exibição segura e dominadora, tanto melhor. Ficará então o Fcp agarrado a uma Taça da Liga como tábua de salvação (olha outro cliché tão bonitinho), taça esta declaradamente menosprezada por eles mas que este ano será encarada como uma Champions League à Portuguesa. Portanto, ir ao seu antro eliminá-los desta competição é o segundo passo. Não é tarefa que se adivinhe fácil, até porque há embates complicados com a Juventus pelo meio, mas não é de todo impossível. E aviar corruptos portugueses pode até ser um excelente tónico para despachar de seguida corruptos italianos. Por sua vez, despachar os corruptos italianos só pode motivar-nos para depois aviarmos novamente os corruptos portugueses. O único grande perigo que há aqui é entrarmos em loop e ficarmos tão viciados em dar tareias a corruptos que no próximo campeonato só fazemos 6 pontos.


A modos que é mais ou menos isto que quero dizer-te, companheiro: se tiveres de optar, vai amanhã à Catedral e deixa a festa de domingo para aqueles que não se importam de festejar campeonatos de 5 em 5 anos. Tu, que queres um Benfica à Benfica; tu, que ainda não perdeste a esperança de ver o teu clube ganhar 3, 4 ou até mesmo - loucura do caralho! - 5 campeonatos seguidos, sabes bem da importância deste jogo.

 

Ser o Benfica a privar o Fcp de conquistar qualquer título esta temporada é garantir desde já um bocadinho de um futuro risonho.

Os nossos meninos



“Onde vais ver o jogo?” Foi assim que os meus amigos Benfiquistas se dirigiram a mim na sexta e segunda-feira passadas. Não, a equipa principal não jogava. Não, não nos juntamos para vermos o jogo do título de campeão nacional de futebol. Não, não íamos ver a meia-final da Liga Europa. Mas sim, sim queríamos ver os nossos meninos a erguerem bem alto o nome que lhes está confiado, o nome do Benfica. E não saímos defraudados.

Parabéns aos nossos pequenos grandes campeões que não o foram. Foram grandes, foram Benfica. Não venceram, mas convenceram. Não conquistaram, mas encantaram. E tudo isto nascendo apenas uma vez. Obrigado.

Sempre defendi, e continuo a defender, que as vitórias da formação não se medem em títulos, mas sim na capacidade da mesma em fazer chegar atletas à equipa principal do clube do qual faz parte.

É claro que as vitórias desportivas, sejam em que provas forem, são importantes, pois são parte importante do processo de formação em si, mas também porque chamam a atenção de adeptos e dirigentes para a qualidade que pode estar ali, concorrendo assim para um aumento da pressão exercida para que as jovens estrelas venham a ser integradas na equipa de futebol profissional.

Não obstante, nenhuma vitória desportiva nos escalões de formação terá qualquer significado se não se traduzir em formação efectiva de jogadores com capacidade e qualidade para chegarem ao topo do clube e, talvez, internacional.

Esta prestação da nossa juventude na Youth League tem o condão de demonstrar que a nossa “prata da casa” está ao nível das melhores europeias, assim haja vontade. Esta prestação tem ainda como consequência o novo aumento de pressão sobre dirigentes e equipa técnica para uma maior aposta nos jovens formados internamente, limitando assim as compras externas ao estritamente necessário.

Qual será a desculpa agora? Naturalmente que ninguém pede e/ou pensa que aquela equipa seja transportada para o escalão sénior tal qual está. Obviamente que a maioria daqueles jogadores não atingirá o nível exigível para se afirmarem no clube como jogadores de plantel principal. Uns porque não têm qualidade intrínseca para tal, outros porque, embora tendo, não conseguirão coloca-la em prática e se perderão no processo.

Mas é absolutamente exigível que daquele grupo alguém chegue ao patamar principal do clube. É imperioso que o clube saiba fazer jogadores de um grupo que tem talentos como o João Nunes, o Estrela, o Guzzo, o Rochinha, o Nuno Santos, o Hildeberto Pereira ou o Baldé