segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Parceria Fly Emirates

Ao longo dos anos, não obstante o crescimento dos diversos meios de comunicação, a Direcção do Benfica não soube (ou simplesmente não quis) ser mais clara e mais transparente para com os seus associados. Os negócios feitos raramente são do domínio público e deixam no ar a constante dúvida sobre os contornos em que são feitos. A parceria com a Fly Emirates é só mais um no rol desses negócios. Quanto é que o Benfica lucra? Em que medida? Quais os objectivos da parceria? O que ganha o Benfica com isto?

Se há coisa que esta Direcção tem sabido fazer é, independentemente dos parcos títulos conquistados, promover lá fora a marca Benfica. Não significa isso que sejamos, ainda, o único clube português falado no estrangeiro. Aliás, quem contacta regularmente com pessoas que vivem fora de Portugal já se apercebeu que a popularidade do Porto cresceu exponencialmente nos últimos 15 anos ao ponto de ser praticamente equiparável à do Benfica.

A Emirates é uma companhia à escala global que tem apostado forte no futebol nos últimos anos. Destacam-se os patrocínios nas camisolas de grandes clubes europeus como Chelsea, Real Madrid, Hamburger, Olympiacos, AC Milan e mais recentemente Paris Saint Germain, associações na publicidade com o Barcelona e o naming do novo estádio do Arsenal. É uma empresa que aposta claramente em diferentes mercados e a sua chegada ao futebol português não é uma surpresa total.

Face à estratégia da Fly Emirates, custa-me a crer que queira celebrar com o Benfica um acordo que tenha por objectivo o simples patrocínio das camisolas dos escalões de formação, tal como foi anunciado. Tem de haver algo mais por trás. Simplesmente não faz sentido para a Emirates anunciar tal pareceria e fazer deslocar o seu CEO a Portugal para anunciar que vêm substituir a Sicasal e a Coca-Cola nas camisolas da formação. Haverá seguramente outros objectivos, bastante maiores, a longo prazo.

A Emirates já patrocina um estádio, como se disse acima. Duvido que seja do interesse da companhia querer dar o nome a outro recinto do mesmo desporto, ainda por cima um estádio tão parecido com o Arsenal. A publicidade nas camisolas da equipa principal parece um objectivo mais tangível, até porque o contrato com a PT finda no próximo ano e o Benfica quererá, seguramente, assegurar uma parceria vantajosa. Mas lá está, são especulações. Porque é que o Benfica não diz quais os propósitos do negócio? Não se percebe...

P.S. Uma possível associação entre o Benfica e a Emirates já tinha sido aventada há cerca de um ano, quando foi divulgado um vídeo da associação do nosso clube com a empresa asiática.

O lucro desconhecido da Benfica TV

O lagarto que manda nas contas e praticamente em todo o clube, Domingos Croquete de Oliveira, vem anunciar que a BTV no seu primeiro ano conseguiu uma receita "a rondar os 30 milhões de euros". Número, sem dúvida alguma, de belo alcance para o primeiro ano; esperamos que o clube saiba fazer evoluir e potenciar mais o canal (despedir o Guerra Santos Fernando Pedro é uma medida que urge) para que o segundo ano gere ainda melhores receitas.

Ora, sabemos que a Comunicação no Benfica é bastante deficiente, mentirosa e omissa, mas já que falaram para estrangeiros e não para os sócios do Benfica (que não têm nada a ver com isto, como é evidente) desta vez podiam ter usado dados certos. É que dizer "a rondar" é assim um bocadinho parvo. No entanto, vamos assumir que "a rondar" são 28 milhões de euros. E agora, como saber o lucro que tivemos se os custos não foram anunciados? Imaginamos, inventamos, pedimos à Maya que lance as cartas astrais? 

Este Benfica é isto: mesmo num projecto que claramente teve sucesso no seu primeiro ano, que foi a resposta ao sistema Oliveira que alguns de nós pedíamos há muito tempo, que trouxe (vamos ver até quando) para dentro do clube o controlo sobre as transmissões de boa parte dos seus jogos, acontecem sempre estes "a rondar" e estas voluntárias omissões. 

No café, junto à minha mesa, dois benfiquistas cinquentões gabavam-se do feito:

- Os gajos pagavam-nos 7 milhões, agora já fizemos 30 milhões ahahahahahahahah
- O pintinho até bufa!! ehehehehehehhe

Tive de levantar-me e explicar aos senhores que quem bufava era o Joaquim Oliveira, o amigo pessoal do Luís Filipe Vieira (que, por acaso, era o Presidente do Benfica), e accionista da Benfica SAD, frequentador assíduo da Tribuna Presidencial da Luz e das Galas do Benfica. E depois expliquei-lhes que, como somos nós a transmitir os nossos jogos e somos nós que temos um canal que os transmite, também gastamos dinheiro com isso. 

Fui meigo e disse-lhes que o lucro foi de 20 milhões de euros. Com estes benfiquistas crentes, temos de ir devagarinho, não lhes dê um ataque cardíaco quando perceberem que estão a apoiar aquilo de que tanto falam quando lhes dizem verdades. Cuidado com as pedras da calçada...

A arte do penálti

O penálti falhado por Jara lembrou-me um texto que escrevi há uns tempos sobre uma questão que frequenta o imaginário e as discussões dos adeptos. O que é um penálti bem marcado?

Em resposta, teremos várias visões. Logo na primeira fila, aparecerão os pragmáticos: «é o penálti que dá golo». De seguida, os prestidigitadores: «é o que engana o guarda-redes». Os estetas: «bola para um lado, guardião para o outro». Os cruéis: «o que humilha o adversário». Os estrategas: «o que transmite a ideia de ir para um canto e vai para o lado contrário». Os cavaleiros: «o que tem uma paradinha a meio da corrida». Os bélicos: «o que faz explodir as redes!». Os emotivos: «o que faz levantar o estádio».

Na verdade, como em quase todos os momentos do jogo, o futebol é para cada adepto um mundo muito diferente do dos restantes e as teorias sobre ele tendem para mais infinito. Há em cada um de nós um especialista catedrático nesta arte; temos todos o conhecimento científico - porque empírico - sobre quais as melhores acções ao longo de uma partida de futebol. Tivesse o treinador a nossa clarividência e a nossa equipa ganharia sempre por 20-0 com mais 20 golos falhados porque os jogadores, já se sabe, não possuem as nossas qualidades inatas para a prática da modalidade.

Humildemente, deixarei o meu contributo: um penálti bem marcado é aquele que, por maior qualidade que o guarda-redes tenha, por mais alto, elástico, atlético, instintivo que o guardião seja, fará com que a bola entre sempre na baliza. Dito de outra forma: o penálti bem marcado é o penálti que encontra a sua janela para a baliza num lugar em que é impossível ao adversário chegar. 

Pode ser, na perfeição, uma bola batida a um dos cantos superiores da baliza - esse é o penálti-fenómeno, o penálti-pérola, o Rei dos penalties. É o penálti que traça uma linha horizontal e vertical tão perfeita que cria a diagonal eterna. Lá «onde a coruja dorme» é o sítio do milagre e da explosão do adepto. Esteticamente, é admirável; tecnicamente, soberbo; psicologicamente, devastador para o guarda-redes. Mas há outras caminhos por onde marcar golo mantendo o essencial do princípio «penálti bem marcado»: bola batida, rasteira, em força, a um dos cantos da baliza; bola batida para as malhas laterais de um dos lados, a meia-altura; bola, rasteira, meia-altura ou alta, que ou apanhe a lateral interna ou o poste pelo lado de dentro, inevitavelmente entrando. Toda a bola que for batida com estes princípios dará golo. É impossível a um guarda-redes defender um esférico que vá puxado, em força, a um dos lados da baliza. E isso, por ser inevitavelmente golo, é um penálti bem marcado.

O que são penalties mal marcados? São todos os outros. Um penálti «à Panenka» é um penálti mal marcado, por mais arte que o jogador tenha em fazer crer ao guarda-redes que vai atirar para um canto e não para o centro, em delicadeza - é bonito, não nego, mas não cumpre o requisito de tornar impossível ao guardião a sua defesa. Basta que fique ao centro para defender a bola; basta que, indo para um dos lados, consiga com os pés tocar no esférico. Ou seja, este é um penálti que não depende apenas e só da qualidade do remate, mas de vários outros elementos: posicionamento do guarda-redes; capacidade do guardião em antecipar a ideia do marcador; sorte do guarda-redes que, mesmo atirando-se para um canto, pode tocar com as pernas ou pés na bola. Pelos mesmos motivos (não dependerem apenas da qualidade do executante mas de vários outros factores), todos os penalties que fizerem a bola entrar num lugar da baliza a que o guarda-redes pode chegar são maus penalties, são penalties com gripe, são anti-penalties.

E isto é independente de ser golo ou não. A grande maioria dos penalties marcados em futebol é executada de forma deficiente. Pode a bola entrar ou não, é irrelevante para a análise. Pergunta-se é: «podia o guardião chegar àquela bola?». Quase sempre, sim. Logo, o executante não fez aquilo que devia. 

A função de um treinador tem de passar por escolher o jogador que marca mais vezes o penálti bem marcado, o tal impossível de ser defendido, e não aquele que nos treinos mete mais vezes a bola na baliza porque esse, em competição, falhará inevitavelmente mais do que aquele que nos treinos mete, em 10, 7 bolas impossíveis de defender, 2 à trave e 1 para fora. O que marca, por exemplo, 8 em 10, mas fá-lo de forma deficiente, estará sujeito, em jogo, a vários outros imponderáveis elementos que o forçarão a uma estatística mais baixa se analisarmos a sua produção no tempo - digamos, por estudo, 5 anos.

No Benfica, o marcador oficial é Cardozo. O paraguaio já foi um marcador exímio. Nos dois primeiros anos no clube, batia a bola em força para um dos lados da baliza, muitas vezes entrando a mesma pelas malhas laterais interiores. Ou seja, marcava invariavelmente penalties bem marcados. Por alguma razão (talvez de ordem estética ou por algum mau conselho de alguém), começou a marcar muitas vezes em jeito, mais para o centro da baliza, com menos força, menos colocação, menos assertividade. Com isso baixou os níveis de eficácia, o que é evidente e expectável, já que deixou de colocar a ênfase do penálti apenas e só na qualidade do remate mas a abriu a outros factores: qualidade do guarda-redes, azar, instinto do guardião. Cardozo passou a bater bolas que, dando golo ou não, podiam ser defendidas pelo adversário. E com isso deixou de ser exímio marcador para passar a ser um marcador com boa média, mas longe da eficácia dos primeiros tempos.

Compete a Jesus ou encontrar no plantel quem saiba marcar penalties bem marcados ou optar por aquele que, quase sempre marcando penalties mal marcados, tem a melhor estatística. Ou seja, passamos do lado científico para o místico-divino. Logo, sujeitos à sorte, ao destino e à religião. Contra o Ajax, nem remate houve. Foi um passálti.

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Amo-te, Vieira

É amor. Só pode ser amor.

Não há sentimento tão forte, tão irracional, que nos leve a fazer e a acreditar nas coisas mais absurdas e impossíveis. Nada nos coloca tão dispostos a perdoar tudo, a justificar qualquer acto, a pactuar com qualquer acção.

Ter no Benfica um funcionário da confiança de Vieira que recomenda craques ao Porto desviando-os do Benfica e que confraterniza com o famoso Guarda Abel nas redes sociais ultrapassa todos os limites da razoabilidade.

Quem defende isto fá-lo por amor.

P.S. E quem não acredita pode pesquisar no Facebook.

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

O «all-in» do Porto

Não vi nenhum jogo do Porto nesta pré-época; não vi o que podem valer, no Porto (e não nos clubes de onde vieram), os novos reforços. Como não vi nenhum jogo nem vi os reforços, não valerá a pena falar da qualidade ou da falta de qualidade da equipa e dos jogadores do Porto. Deixarei essa análise para mais tarde, lá para Setembro quando já pudermos ver que trabalho Lopetegui tem andado a fazer.

Por ora, o que me interessa analisar aqui é a estratégia que foi pensada por Pinto da Costa para esta época. Uma estratégia claramente de desespero, que explica os milhões investidos (com ajudas exteriores; resta saber de quem) e que, no fundo, não é surpreendente tendo em conta a obsessão que o Presidente do Porto sempre teve pelo Benfica. Pinto da Costa faz um «all-in» para 2014/2015 na esperança de, mais do que ganhar o título de campeão nacional, conseguir evitar o Bicampeonato do rival (fenómeno que não acontece há 30 anos). 

Os jogadores que chegaram ao Porto poderão ser óptimos - alguns têm qualidade inegável - e o novo treinador uma maravilha - não conheço, espero para ver -, mas parece-me que na análise que vejo à nova época do portistas há aqui alguns esquecimentos: o Porto perdeu Helton (um guarda-redes com 8 anos de clube), Mangala e Fernando. Prepara-se para perder Jackson e provavelmente Danilo. Ora, aqui estão 5 titulares da época passada. 5 bons jogadores. Para os seus lugares virão outros, alguns com qualidade, outros nem tanta, mas as equipas dificilmente se constroem sem referências e este Porto, com muito ou pouco talento, não tem referências, que é precisamente o que sempre teve e sempre usou em seu benefício, construindo uma mentalidade forte. Portanto, sim, aceito que estarão mais fortes em termos desportivos, mas não compro a ideia de que estarão imparáveis apenas porque compraram bons jogadores (veremos a adaptação ao clube de tantas "promessas") e um bom treinador (que também ainda tem muito para provar). 

À semelhança de Vieira no ano passado, Pinto da Costa força assim um «all-in» que ou lhe dá uma relativa glória - evitar o Bi do Benfica - ou deixa o clube na miséria, não só desportiva e moralmente como no lado financeiro. Talvez os portistas ainda não tenham percebido bem a realidade, mas a obsessão de Pinto da Costa pode custar a sobrevivência no mais alto nível ao Futebol Clube do Porto. O que é espantoso é que, nos últimos 20 anos, nenhum Presidente do Benfica (Damásio, Vale e Azevedo, Vilarinho e Vieira) tenha conseguido jogar com este lado doentio de Pinto da Costa, usando-o em proveito do nosso clube. E esta época começa a dar sinais de seguir no mesmo caminho autista do passado. Ou seja, um Porto habituado a ganhar - partiu para a última época com 8 títulos em 10 possíveis no Campeonato Nacional -, um Porto que enfrentou o Benfica e perdeu para o Benfica nas 3 frentes - Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga -, um Porto que viu fugir debaixo dos pés a superioridade desportiva que vinha tendo, além de graves problemas financeiros, com atrasos de meses no pagamento dos ordenados, empréstimos por pagar, endividamentos brutais, etc. Este Porto, que em Maio estava destruído desportiva, moral e financeiramente, era um Porto a abater com inteligência. Em resumo: esta época 2014/2015 tinha de ser encarada pelo Benfica como a da estocada final no adversário, para então iniciarmos um ciclo que nos pudesse garantir a liderança e hegemonia no futebol português.

Nada disso fizemos. Perdemos a enorme vantagem sobre os adversários com que partiríamos para esta época se tivéssemos mantido um núcleo substancial de jogadores. Claro que teríamos de vender, mas venderíamos bem, 3 (4 no máximo) jogadores, e a preços de cláusula, que não deixassem qualquer dúvida sobre a nossa posição estratégica no mercado e aos olhos dos adversários nacionais. Quanto valerá, em termos financeiros, um Bicampeonato para o Benfica? Quanto valerá, em termos que os dirigentes do Benfica compreendam, a alegria e vontade de gastar em camisolas, calções, cartões de sócios, etc, etc, etc, se os benfiquistas vissem o Benfica ser Bicampeão Nacional? São estes números que podem mudar estratégias e assumem o lado mais emocional (mas também financeiro) do clube que os tecnocratas que trabalham no Benfica não compreendem pelo simples motivo de que ou são adeptos sem qualquer paixão ou nem sequer são adeptos benfiquistas. E, já agora, quanto valeria, em termos de dívida para os portistas, um Porto que perde dois campeonatos seguidos? Pensaram nisso ou só vêem com os olhos quadrados das contas sem sangue, do relatório sem verdade, da venda sem alma, da empresa sem clube?

Chegados ao final de Julho, o que parece claro é isto: o Porto investe o que tem e o que não tem na procura pelo título nacional; o Benfica, endividado até ao tutano (realidade que não é culpa dos bancos, mas de quem gere o clube há mais de uma década e o trouxe até esta situação), prefere perder toda a vantagem desportiva que tinha e que o faria partir com mais de 80 por cento de possibilidades de renovar o título nacional para atacar o mercado vendendo os seus melhores ao desbarato e comprando, salvo excepções, mal e caro (para o valor dos jogadores comprados). O problema disto é que não é novo. Aconteceu em 1994, com os resultados que conhecemos. Aliás, se há desculpa recorrente nos apoiantes de Vieira ela está precisamente nesse ano e nas repercussões que ele teve para os futuros 20 anos do clube. Esperemos que não aconteça estarmos em 2034 a desculpar o Presidente da altura por termos tido um aldrabão no clube. Esperemos não ter de ouvir na altura, aos apoiantes inequívocos do Presidente de 2034, a frase: «Deves querer voltar aos tempos do Vieira...». 

Dito isto, e sabendo que estupidamente perdemos a vantagem que tínhamos sobre o Porto, será que estamos condenados a ver os portistas festejarem o próximo título? É evidente que não. Nós levávamos o nosso carro com 700 metros de distância sobre os rivais, com a estratégia errada que escolhemos e com a (provável) boa estratégia dos adversários, digamos que neste momento estamos todos na mesma linha de partida. O que se por um lado é chato e triste (custa sempre perder tantos metros), por outro dá-nos a certeza de que ainda vamos a tempo de acabar na frente. 

Como? Diria que é fundamental manter Enzo (pouco provável), Gaitán (muito pouco provável), Luisão, Lima e Maxi - o núcleo. Depois, comprar um Guarda-redes, um lateral de qualidade que faça os dois lados (estamos necessitados nos dois), um médio defensivo experiente e um avançado goleador. Fazendo isto, manteremos ainda alguma ligação ao trabalho de anos de Jesus e poderemos evoluir para uma equipa competitiva a nível nacional - a Europa esqueçam. Neste momento, é fundamental apontar todas as setas ao Bicampeonato. Nem que seja com um plantel mais fraco - e isso sê-lo-á sempre -, mas com espírito colectivo superior e os objectivos bem definidos desde o princípio. O problema desta estratégia é que não deverá ser possível acontecer. Enzo e Gaitán, um deles ou os dois sairão. Compras de qualidade talvez uma ou outra mas não as 4 que seriam necessárias. Vamos ter um plantel para 2014/2015 com deficiências, muito abaixo da qualidade que o anterior tinha, com um Porto supostamente mais forte e com um Sporting com um treinador que garante um bom trabalho. 

Ou seja, dos 80 e tal por cento com que partíamos se tivéssemos apostado de forma coerente na pré-época, vemo-nos agora com uns diplomáticos 33 por cento. Passámos da ciência para a fé. 

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

FIM: BENFICA - 1; MARSELHA - 2 (Gignac, Michy)


Melhor em campo: Luís Filipe Vieira. O Sócio Zero Euros confirmou as excelentes aparições da Primeira Parte. Além disso, compensou a expulsão de Jara, aparecendo em várias posições do televisor. Sempre a mesma disponibilidade, a solidariedade, a polivalência, a abnegação, o colectivo sobre o ego - virtudes de quem não dá meros pontapés na bola.. Com Calado, fez dupla de sucesso na limpeza da área cerebral dos adversários. 

Faltaram apenas os dois elementos que compõem o chamado «quadrado mágico»: Pedro Guerra e Fernando Santos. No entanto, estamos em crer que os dois últimos irão agora aparecer no rescaldo do jogo, tanto a comentá-lo como convidado como a comentá-lo como telespectador, de forma a que este encontro seja devidamente limpo de nefastas impurezas que naturalmente não são bem-vindas a um saudável convívio entre as boas gentes benfiquistas.

INTERVALO: Benfica -1 (Gaitán); Marselha - 1 (Gignac)


Melhor em campo: Luís Filipe Vieira. O Sócio Zero Euros apareceu sempre em jogo e em bom plano. Confiante, seguro, alegre, surpreendeu constantemente o adversário. Não se esconde perante o perigo e denota bom timing sempre que é chamado a intervir.

Álbum lançado em vinyl "Benfica, o Maior!" pelo Conjunto «Os Benfiquistas».




Músicas (autor/compositor):

Benfica É O Maior (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz) - Benfica De Todos Nós (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz) - O Benfica É Portugal (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz) - Campeão Dos Campeões (Eugénio Pepe/Álvaro Vaz)


terça-feira, 22 de Julho de 2014

E nem uma trafulhicezinha...

Praticamente um mês depois da transferência de Garay por 6 milhões de euros, duas teorias veiculadas por alguns benfiquistas caíram por terra: a primeira, de que os 6 milhões de euros corresponderiam à parcela que o Benfica detinha do passe do argentino, foi desmentida em comunicado oficial do Clube à CMVM, onde foi esclarecido que os ditos 6 milhões eram pela totalidade do passe e que desse montante apenas 2,4 milhões entrariam nos cofres encarnados; a segunda, de que o Zenit pagaria um montante absurdamente inflacionado por um qualquer jogador encarnado de forma a "contornar" o facto de o Real Madrid ser detentor de metade do passe de Garay e assim caber uma fatia financeira maior ao Benfica na soma de ambos os negócios, parece cada vez mais improvável dado que quatro semanas depois não há sinais vindos da Rússia de interesse em jogadores do Benfica.

Desta forma, muitos benfiquistas estão tristes e desapontados com o facto de não termos conseguido um encaixe financeiro mais significativo com a venda de um central que é, neste momento, indiscutivelmente, top 10 a nível mundial. Com tantas negociatas com que Luís Filipe Vieira nos tem brindado ao longo dos anos, é caso para perguntar: "Então e desta vez, senhor presidente? Nem uma trafulhicezinha?"

Vieira tem de explicar este negócio. Não cabe na cabeça de ninguém vender Garay pelo preço que se vendeu. Nem se aceitam as pseudo-explicações que a guarda pretoriana do presidente tem vindo a debitar quase todos os dias seja em diários desportivos, fóruns e blogs, ou mesmo no veículo de propaganda do clube, agora denominado de BTV. 

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Benfica-Sporting: segundo raio-X

Nem o Benfica dava sinais de ir conquistar todos os títulos do ano após a vitória sobre o Estoril, nem o Benfica parece agora, depois da derrota contra o Sporting, que está prestes a iniciar uma época desastrosa. São 15 dias de preparação, muitos jogadores novos, capacidade física alterada, um adversário que ontem jogou muito mais próximo do onze com que irá entrar na maior parte dos jogos oficiais do ano. Após estes dois jogos, há sinais positivos, outros negativos. Há dúvidas ainda, há algumas certezas. Compararei os sinais que este jogo me trouxe com as primeiras impressões que escrevi após o jogo com o Estoril:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 


Não há muito a acrescentar ao que escrevi há dois dias atrás. A equipa está, de facto, surpreendentemente bem rotinada após tão pouco tempo e esse é um mérito indiscutível do homem que, compreensivelmente, vem dizer que "só trabalho não chega; tem de haver qualidade". É incrível como esta Direcção tem minado o trabalho de Jorge Jesus, este ano chegando ao cúmulo do ridículo, destruindo por completo uma equipa campeã nacional. Por outro lado, Jorge, este será o ano em que terás plantéis com a qualidade com que os teus antecessores tiveram de trabalhar. Vais poder mostrar que és melhor do que Fernando Santos, Koeman, Trapattoni, Quique e Camacho. Pelo menos é isso que esperamos de ti. 

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

Há pessoas que não têm nem talento nem conhecimento do jogo para analisar rapidamente um jogador. Por isso pedem tempo, "é preciso esperar para ver", etc, etc. Na verdade, saber ver talento num jogador é mais difícil do que saber ver que ele é um mau jogador. E Luís Felipe, para quem sabe e quer ver, é de facto um mau jogador. E para isso não são precisos 3 meses de visualizações; bastam três ou quatro jogadas. 2 jogos depois, os sinais que a primeira jogada do Benfica-Estoril me deu continuam perfeitamente vivos. É o cepo do ano, como já é tradição com esta Direcção. Convinha assumir o erro - tal como com Cortez o ano passado - e contratar um lateral-direito que dê garantias. Fica, no entanto, a pergunta: como é possível alguém dentro do Benfica achar que um jogador mau como Luís Felipe tem atributos para ser contratado?

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 


Não mudo uma vírgula das primeiras impressões. Acrescentaria apenas: com este plantel com tão pouca qualidade e quantidade no miolo, não integrar João Teixeira será um erro dos grandes. Se for preciso, mudem-lhe o nome. Muito bom jogador, John Texas.


Visto o segundo jogo destes dois reforços, mantenho uma dúvida - Benito - e ganho uma certeza - César. 

Sobre o primeiro, preciso apenas de confirmar o seu jogo contra uma equipa diferente do Sporting; ou seja, uma equipa que privilegie um ataque continuado e não, como os leões ontem fizeram, um jogo de contenção e cinismo. O Ajax será um bom teste para avaliar se as preocupações que tenho com Benito são reais ou se o jogador consegue ser um bom reforço. Defeitos: mau posicionamento em situação defensiva, não antecipando os movimentos do adversário e caindo excessivamente na "queima" que ou o faz perder o lance e deixar o extremo ficar isolado ou o força a um jogo demasiado faltoso; nas bolas paradas, Benito hesita muito e é várias vezes apanhado fora do seu espaço, deixando o adversário com tempo para executar; com bola, procura pouco o jogo interior e as combinações com os médios - recorrentemente dá no extremo, ao longo da linha, o que mostra uma compreensão deficiente do que é o jogo. Virtudes: compensa bem o lado contrário da defesa, sempre que a equipa está descompensada; mostra tranquilidade e segurança no seu jogo; boa condição física, subindo e descendo sem dificuldades e sem ficar com as costas desguarnecidas; boa eficácia de cruzamento; consegue ser desequilibrador quando se aventura em zonas ofensivas. Em resumo, não me parece ser o lateral titular de que o Benfica precisa. 

Sobre César, julgo que estamos perante uma boa contratação. Bom jogo nas alturas; excelente a antecipar os lances - pelo ar ou pelo chão -; forte no desarme; percebe bem a necessidade de ser fiel à linha defensiva; tem segurança com bola quando sai com ela ou passa para o miolo, sem dificuldades; lançado em velocidade com o adversário, mostra-se rápido e eficaz na procura do espaço que lhe garanta o desarme. Deve procurar menos os passes de risco para o lateral, quando este está pressionado - a equipa tem de ter mecanismos que o protejam dessa opção, mas o jogador deve também saber defender-se e defender o perigo para a equipa de uma perda de bola em zonas perigosas. Resumindo, tecnicamente capaz, atleticamente forte, tacticamente inteligente, César é já, se Lisandro sair, o segundo melhor central do Benfica e o previsível titular, se não contratarmos ninguém para a posição.


Nada acrescento a "talento puro" e "cabe a Jesus burilar este diamante.

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

Nada acrescento a "será uma das figuras da época".


Nada acrescento a "fica a ideia para o nosso mister reflectir" e "Luís Felipe é um feliz contemplado na Wall of Cepos".

8) Bernardo Silva não pode entrar só a 10 minutos do fim, para uma posição que não é a dele e depois concluir-se que "não serve". Se o Jesus quer desperdiçar talento puro de um puto que é benfiquista até ao tutano, pode dizê-lo publicamente; isto assim é que não. Se quer desculpas, arranje outras. Não vale é fingir que se aposta quando na verdade está-se a apostar em não apostar. 


Diz mesmo tudo. 



As minhas primeiras impressões

Após dois jogos, um golo marcado e outro sofrido, uma vitória e uma derrota, o mundo B(enfiquista) começa a entrar em ebulição.

Constatando a enorme diferença de valores entre o actual plantel e o passado, a preocupação adensa-se e já nem o treinador esconde o seu desconforto.

Não sou, nem hei-de ser, fã de Jorge Jesus, mas se há coisa que lhe reconheço é a parca propensão para o queixume. O treinador do B(enfica) nunca demonstrou publicamente tamanho desagrado com a construção dos sucessivos planteis que teve ao dispor. Pelo contrário, sempre procurou encarar as saídas com naturalidade e sempre se apressou a chamar pelos "Maneis" desta vida. Se desta vez não se inibe de expressar esse desagrado, é porque a coisa vai mal... Pior do que eu próprio imaginava.

Neste momento Jorge Jesus vê-se na possibilidade de ter um plantel ao nível dos que foram colocados à disposição de Fernando Santos ou Trapattoni. Se o plantel definitivo for realmente este, ou próximo, teremos aqui uma boa base de comparação entre treinadores.

Há matéria para trabalhar nos novos reforços, como nos casos de Talisca, César ou até mesmo Benito. Acredito que JJ consiga fazer daqui jogadores, no mínimo, razoáveis. O problema é que nenhum deles parece preparado para assumir a titularidade de uma equipa que se quer capaz de defender o titulo conquistado.

A situação mais grave, mais uma vez, está na lateral esquerda. Se nos restantes casos (a manterem-se os actuais principais jogadores) haverá tempo para que o treinador os trabalhe e os prepare para as exigências do clube, no caso de Benito a única alternativa que existe é Djavan, outro jogador que necessita de trabalho táctico e que, por isso, seria de todo conveniente ter um lateral capaz de assumir a titularidade desde já e com qualidade.

Mas nem tudo são más notícias, há que destacar a qualidade apresentada por João Teixeira (ainda que tenha que nascer mais 9 vezes), mostrando ser um valor interessante para fazer parte do plantel e ir aparecendo, ainda que não seja adequado que assuma a titularidade absoluta nesta fase.

Ainda nos jovens há a destacar Bernardo Silva, mas não pelos melhores motivos. A qualidade do jovem B(enfiquista) é inegável para quem lhe conhece o trajecto no clube, mas tem parecido demasiado ansioso nos parcos minutos que lhe foram dados nestes dois jogos. Talvez esteja a sentir a pressão de ter que mostrar serviço para assim segurar um lugar no plantel e isto pode indiciar alguma relutância em apostar no jogador por parte do treinador. Mas aguardemos para ver.


João Cancelo continua a demonstrar qualidade técnica inversamente proporcional à capacidade mental e de entendimento de fundamentos básicos do jogo, características já evidenciadas na equipa secundária. Ou seja, neste momento está longe do nível exigível para o plantel e, por isso, considero que lhe fosse favorável um empréstimo a uma equipa de primeira liga onde possa jogar e melhorar os aspectos tácticos que, claramente, não domina. É no fundo, o nosso Luís Felipe, mas magro e com maior capacidade técnica.


P.S 1 - Agora sem qualquer sarcasmo, a ideia de mudar o nome da BenficaTv para BTV é pouco mais que ridícula. Entendo que haja a intenção de aproximar o canal dos adeptos não afectos ao clube, até pela necessidade de rentabilizar os conteúdos pelas assinaturas, mas como pode o canal descolar-se do Benfica quando 99% dos seus conteúdos são, e bem, relacionados com o Benfica? Quando, naturalmente, os comentadores e analistas são Benfiquistas e, também naturalmente, algo (ou muito) tendenciosos?

P.S. 2 - Calado, já agora, porque não faz jus ao nome?


Canto inferior direito da B(enfica)TV


domingo, 20 de Julho de 2014

Recados para serem ouvidos por quem tiver orelhas grandes


"Aquilo que eu posso prometer é aquilo que tenho prometido ao longo dos 5 anos, é trabalho, qualidade do trabalho, tentar valorizar o máximo possível a equipa em títulos, jogadores e isso só se consegue com trabalho. Mas só trabalho, só trabalho isso não chega, tem de haver qualidade."

Jorge Jesus, no final do jogo


sábado, 19 de Julho de 2014

O poder e a influência dos fundos


Um dos melhores jornalistas e comentadores que por aí anda dá pelo nome de Rui Pedro Braz. Análises isentas, imparciais, bastante perspicazes e sem necessitar de se colocar em bicos de pés. Dizia Rui Pedro Braz aqui há uns dias que o grande problema dos fundos e de alguns empresários é, além de não se saber muito bem de onde vem, para onde vai e por onde circulou o dinheiro, a capacidade que os fundos têm de "decidir" os campeonatos através da vontade que têm de ver um jogador específico num determinado clube, o que acarreta uma necessária viciação de resultados. Se um fundo com alguns jogadores de grande qualidade decidir colocar esses mesmos atletas no clube X, não fica muito mais fácil a esse mesmo clube ser campeão sem investir o próprio dinheiro?

Basta ver o que se passou no ano passado com o Benfica e o que se está a passar este ano com o Porto para percebermos quem é que fez all in sem usar as próprias fichas. É assim que se ganham campeonatos. Ou acham que há petróleo no Beato?

Benfica-Estoril: primeiro raio-X

O primeiro jogo da pré-época nunca pode servir de motivo de depressão ou de euforia. Os jogadores têm apenas 15 dias de preparação, procuram ainda a melhor forma de interpretar a ideia de jogo que o treinador tem e entender os restantes colegas e seu tipo de jogo. É, portanto, apenas e só um gerador de primeiras impressões que necessitarão de mais base que as sustente. Sendo assim, vamos ao primeiro raio-X de 2014/2015:

1) Uma inesperada (pelo parco tempo de preparação) sintonia entre os jogadores e uma boa assimilação da filosofia de Jorge Jesus: sa saída de bola, vimos o médio defensivo baixar para os centrais abrirem; vimos a compensação do extremo na subida do lateral; vimos a procura de alternar entre o jogo interior e a busca pela verticalidade dos extremos; vimos os movimentos de aproximação ao miolo por parte do avançado; tentativa de combinação em triângulos: «extremo, médio, avançado» ou «lateral, médio, extremo», consoante a zona do campo em que procurávamos a construção de jogo; compensação do médio-defensivo à subida dos laterais; procura (ainda difícil) de sintonia entre o médio defensivo e o médio de transição; movimentos de ruptura de um dos avançados, procurando deixar o terreno livre para a entrada ou do extremo em diagonal ou do outro avançado, com espaço aclarado; pressão alta e orientada para os espaços exteriores para logo "sufocar" o portador de bola com dois e três jogadores; trabalho nas bolas paradas. 

Alguns dos pressupostos que orientam a filosofia de Jorge Jesus estiveram bem nítidos neste primeiro jogo. Ainda faltam alguns, os que mais dificilmente são explicáveis a jogadores que chegaram há 3 semanas e começaram a treinar há 2. No entanto, é positivo que tanto trabalho esteja a ser compreendido pelos atletas. É uma das grandes mais-valias do nosso técnico: em termos de treino, é dos melhores do mundo.

2) Luís Felipe entra directamente para a Wall of Cepos. Todos os anos, por alguma estranha razão, o Benfica decide contratar um mau jogador. Não é possível acreditar que Jorge Jesus ou a equipa de prospecção do clube tenham vislumbrado qualidade em Luís Felipe, tão mau é o rapaz; logo, temos duas hipóteses para esta contratação: deu alguma comissão ao treinador, ao Presidente ou a outro gajo qualquer; é importante ter nos treinos uma referência no sentido de o mister poder explicar como não se joga futebol - «olhem para o Luís Felipe, aquilo é tudo aquilo que vocês não podem fazer!». Luís Felipe entra assim na Wall of Cepos, continuando a saga que se iniciou com Emerson e teve continuidade com Cortez. Se o primeiro ficou absurdamente uma época inteira a titular, contribuindo para não ganharmos o título, já o segundo ia ficando não fora termos emendado a mão no último segundo de Agosto. Espera-se que Luís Felipe possa seguir as pisadas de Cortez e ficar já encostado para sair em Janeiro. A diferença é que Cortez veio emprestado e este, se ficar os 5 anos ligado ao clube, custar-nos-á 2 milhões de euros. Só 400.000 a menos do que... Garay.

3) João Teixeira. Uma surpresa no onze e uma boa surpresa em campo, embora não tenha feito um jogo exemplar. Cometeu alguns erros compreensíveis pela natural ansiedade em mostrar serviço de um puto que tem qualidade: bolas perdidas em zonas cruciais, alguns erros no passe, nem sempre mantendo o equilíbrio posicional aquando das subidas dos laterais. Positivo: muito boa antecipação dos lances, entrando em desarmes que denotam concentração e capacidade para antever o jogo adversário; disponibilidade física; agressividade positiva, disputando cada lance com o espírito competitivo que se exige a um jogador do Benfica; visão de jogo, encontrando boas e inesperadas soluções mesmo quando estava pressionado; a procura pelo jogo vertical interior - quase sempre para Talisca ou Derley - dá bons indícios sobre a forma como interpreta o jogo. 

João Teixeira, juntamente com Rúben Pinto, Bernardo Silva ou outros jovens da formação, não deve nada a putos que chegam vindos do estrangeiro. A única razão para não serem aposta prende-se com uma estratégia errada de modelo de gestão. No Benfica, pensa-se sempre em fazer lucro, mesmo que no saldo entre compras e vendas na era Vieira o prejuízo seja assinalável. Olhem para os putos, dêem-lhes reais oportunidades, que vão ver brotar daquele Seixal muito titular e muito "activo" que poderá ser vendido no futuro, além do contributo desportivo. Agora, é mesmo se apostarem neles e não se lhes derem um ou outro jogo de pré-época para logo serem encostados quando chegarem mais uns estrangeiros tipo... Luís Felipe.

4) Benito e César - ficam para outras núpcias. Tanto mostraram qualidades como defeitos. Prefiro ver o jogo de amanhã para não ter dúvidas sobre se são de facto reforços ou se estaremos perante jogadores medíocres.

5) Ola John. Um talento puro. É um dos meus jogadores preferidos e no qual tenho muita confiança. Espero poder ver este ano o Ola John de sempre com um acrescento em termos motivacionais e de espírito combativo. A qualidade que este miúdo tem merece ter consequência no relvado. E nós merecemos ter um Ola John a brilhar de águia ao peito. Cabe a Jesus burilar este diamante. 

6) Derley deixava água na boca no Marítimo e ontem confirmou todas as expectativas. Sendo titular ou vindo do banco, será uma das figuras da época 2014/2015. Tem golo; tem presença física; sabe deslocar os defesas para a entrada dos colegas; combina muito bem com os extremos, não raramente mudando de posição com eles; de fora para dentro é perigosíssimo, tanto em diagonais dentro da área como aparecendo à entrada da área para finalizar um cruzamento; sabe recuar, tabelar, abrir jogo e rapidamente procurar a bola no espaço; nas recuperações de bola em transição, é óptimo porque sai rápido e decide geralmente bem. Não é um 9 puro, é mais um Rodrigo. O que quer dizer que, se Cardozo sair ou se mantiver lesionado, o Benfica precisa de ir ao mercado para ter uma opção mais "posicional" no ataque.

7) Candeias. Imaginando que Gaitán fica (o que não é, de todo, expectável), para as alas teremos o argentino, Salvio, Ola John, Pizzi e Candeias. Não será injusto dizer que o último será a última opção. Tendo em conta que Maxi pode não ficar ou mesmo ficando tem, como teve sempre, problemas posicionais, que Cancelo não é opção para Jesus e que Luís Felipe é, enfim, mais um feliz contemplado na Wall of Cepos, diria que Candeias poderia dar um bom lateral. Fica a ideia para o nosso mister reflectir.

8) Jara - 5,5 milhões de euros - não é nenhum cepo, mas também não justifica ficar no plantel tendo em conta que temos Lima, Cardozo e Derley (e Nelson?). Vendia o gajo. 2 milhões seria um negócio implacável.

9) Aparecer de 5 em 5 minutos a cara do Presidente é uma coisa asquerosa. Esta lobotomia aos benfiquistas - que tem resultado - é demasiado degradante. Numa campanha de angariação de sócios, a escolha para ter como figura da mesma a cara do Presidente diz tudo de quem temos a desgovernar o nosso clube.

10) Calado se estivesse calado era um bom poeta calado. A Benfica TV tem um principal requisito: ser lambe-botas do Presidente, do treinador e de tudo o que se faz no clube. Mas também não exagerem. Nada justifica tanto melão.





sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Ode a Margarida Prieto

Como eu não sou religioso, tenho tempo para pensar. Se eu andasse a planear roubar a caixa de esmolas da Igreja, a inventariar a vida dos outros, a estudar exaustivamente os livros que dizem que Deus existe porque o filho dele escreveu um livro, em rezas ou idas à missa, restar-me-ia pouquíssimo tempo para o resto. E o resto é absurdamente desgastante. Cansa muito pensar, consomem-se dias nisto e não se chega a conclusão nenhuma. Se ao menos Deus existisse para desinventar os que nele não crêem. Se ao menos.

Como tudo seria mais fácil se eu acreditasse que, morrendo, viveria e não esta estúpida ideia que não me sai da cabeça de que, morrendo, morro. Uma luz que me chegasse de fininho, me iluminasse e me criasse crente. Não precisava de ser cinematográfico; um toque no ombro, um pentear de cabelos, uma mão sobre a minha, dois cubos de gelo sobre a mesa, qualquer coisa que me ensinasse o dom da fé sem questões. Mas mantenho teimosamente esta luta comigo próprio, este absurdo necessitar de provas, de coisas tangíveis e claras. Se ao menos Deus existisse e me chamasse pelo nome. Às vezes estou na cozinha a olhar o horizonte nublado, requisitando absolvições divinas e oiço uma voz. "Ricardo, Ricardo" e não sei se é do gin se do adiantado do mundo mas entra-se-me uma esperança de eterno que logo é miseravelmente destruída pela realidade: afinal não é Deus nem Nosso Senhor nem sequer a Fátima que gostava de comer azeitonas em cima de uma árvore. É a vizinha que traz o quotidiano: "podes passar-me as cuecas do meu filho que caíram no teu estendal?". Se ao menos Deus fosse uma dona de casa. Se ao menos.

No outro dia, visitaram-me. Abri a porta e uma senhora muito bem composta com o seu deficiente mental de estimação atrás dela, de óculos muito grandes, vítreos e profundos, umas mãos pequenas e uns olhos que me perscrutavam as pontas dos pés. A senhora de cabelo apanhado, casaquinho de malha, ombros caídos sob a presença do etéreo e uns livrinhos de que, tem a certeza, eu vou gostar muito de ler. Não são bem livros, antes folhetos, páginas a azul e branco com propaganda jeová. "Já leu as crónicas do Dr. Abraham Milzenovky Tratcher Viktus?", "Com imensa pena minha, não li", "Pois é, as pessoas hoje em dia dedicam-se a outras coisas", "De facto", "O que tem a dizer sobre a religião?", "Talvez caia melhor com chourição", "É crente?", "Apenas no que vejo e no Benfica", "Vê este pobre coitado aqui perto de mim?", "Se os olhos não me enganam...", "Foi salvo por Deus", "Tem provas?", "Não são necessárias", "Nem para ele próprio?", "O rapazinho não tem capacidade para isso", "Porquê?", "Tem uma deficiência mental profunda", "Compreendo", "Já leu a Bíblia?", "Aos soluços", "E o que retirou dos ensinamentos?", "Pouca coisa, quase nada, um adultério aqui, uma traição acolá, uns crimes de fraco teor artístico, pão, vinho e pouco mais", "Não se brinca com coisas sérias.", "Precisamente o que sinto", "Então sabe que Deus existe e nos ama a todos?", "Não sei, nunca o conheci barba com barba", "Tem dúvidas sobre a existência de Deus?!?!?", "Todas e mais algumas", "Mas se está escrito no livro..."

De modo que penso, a espaços. Relaciono coisas. Por exemplo: no outro dia vi uma foto do tirada na Suíça que me mostrava um jogo de xadrez gigante, com pessoas em volta. Faz todo o sentido. O que peca no jogo é precisamente a diminuta visão que podemos ter dele, quando num tabuleiro ou, pior, na internet, com as pecinhas todas espalmadas e nós a vermos-lhes os cocurutos. Para o jogo de xadrez, é necessária visão e dimensão espacial. Para imaginarmos os ângulos, o jogo de vai e volta, o futuro das peças, a morte ou sobrevivência consoante as várias escolhas do agora. Fosse o xadrez um enorme campo de ténis e o desporto teria outra popularidade entre as gentes. E, no fundo, xadrez, ténis, bilhar, futebol, o jogo da parede ainda no velhinho ZXSpectrum são de um agnosticismo desarmante. Não chega crer, há que ir crendo, aos poucos, em ângulos, devagarinho, ganhando centímetros, teimando, desistindo, escolhendo vias, pondo em causa, acertando. 

A religião é um bocadinho como aquele ser, muito de Cascais, que um dia conheci em estágios futebolísticos e que tinha como conceito de vida o limpar o rabo um número, reduzido e sempre igual, de vezes: o acaso escatológico ficava a cargo de Deus.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Alguns blogues benfiquistas que gostamos de ler:


- A Mão de Vata
- Cabelo do Aimar
- Ai Vale Bujas?
- Mágico SLB
- Ndrangheta
- Benfica Eclético
- NovoGeraçãoBenfica
- Em Defesa do Benfica 
- Gordo Vai à Baliza



Quais os vossos preferidos, aqueles que todos os dias lêem?

Sem rumo

Djuricic muito próximo de sair do clube. É este o problema: falta de estratégia, ausência de coordenação entre as ideias do técnico e as compras efectuadas. Avançámos 8 milhões de euros num excelente jogador que, pelas características que tem - é potenciado a «10», nunca a segundo avançado ou encostado numa ala -, não se enquadra no modelo de Jorge Jesus.

Agora irá de empréstimo para nunca mais voltar. Sidnei-Sete-Milhões e Ola John-Nove-Milhões conhecem o conceito. E tantos outros que, somados, mostram o porquê de o Benfica estar endividado até ao pescoço. Enquanto se enganam os adeptos e se destrói uma equipa campeã, enquanto se justifica esta absurda sangria com o endividamento (do qual os dirigentes são os únicos responsáveis), temos enterrados milhões de euros em jogadores emprestados. 

Já só apoia isto quem ou é muito cego ou tem algum interesse pessoal. 

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

O tempo explicará



Desde o início do presente ano civil, o Benfica já anunciou a alienação dos direitos económicos e desportivos de 6 jogadores (Matic, Rodrigo, André Gomes, Garay, Markovic e Oblak), por valores, no mínimo, assinaláveis – falo, naturalmente, de jogadores de relevo do plantel, já que, o clube também já cedeu outros jogadores “secundários”.

Ainda que o Benfica não detivesse a totalidade dos passes de cada jogador, tudo junto dá uma bela “pipa de massa”.

No plano estritamente desportivo, esta debanda só pode dar mau resultado ou, pelo menos, não deixará o plantel mais forte. Há quem justifique esta venda compulsiva com as pressões de cada jogador para sair e também há que veja esta situação como a face mais visível das dificuldades financeiras que o Benfica poderá estar a atravessar.

Estando por fora de todo e qualquer processo, será sempre difícil acertar com exactidão nas razões que levam a tamanho desmantelamento de um plantel vitorioso. Porém teremos sempre um aliado… o tempo.

O tempo será responsável por nos explicar a razão da saída em cardume de tanta “truta”. E este defeso será fulcral para nos dar essa explicação.

Caso o clube seja capaz de atacar o mercado de transferências em força e revelando aquisições de monta para o plantel, poderemos inferir que o dinheiro encaixado com as vendas servirá para pagar compromissos financeiros, mas também para reinvestir no plano desportivo, reinventando o plantel, já que, falamos realmente de muito dinheiro.

Por outro lado, se daqui a té ao início de Setembro o clube mantiver a actual política de aquisição, ou seja, comprar o mais baratinho e desconhecido possível, aí sim, teremos a prova provada de um possível falhanço do actual modelo de gestão.

Verificando-se a segunda hipótese, poderemos sempre argumentar com o eventual realismo do presidente, face aos dias que vivemos, mas será pouco credível que Luís Filipe Vieira e a sua direcção tenham invertido tão bruscamente o caminho que seguiram na última década.